Bruno Felipe Allegretti é impedido de frequentar campus por 120 dias após decisão da reitoria; Colégio Pedro II também inicia processo de expulsão contra outros dois envolvidos em crime que choca o Rio de Janeiro
As instituições de ensino do Rio de Janeiro reagiram com rigor institucional à brutalidade do caso de violência sexual que vitimou uma adolescente de 17 anos em Copacabana. Na noite desta segunda-feira (2), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) oficializou a suspensão imediata de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, aluno do curso de Ciências Ambientais e um dos quatro indiciados pelo crime.
A medida, assinada pelo reitor José da Costa Filho, isola o estudante das atividades acadêmicas e sociais da instituição pelo prazo de quatro meses, enquanto as investigações criminais avançam na Justiça fluminense.
A decisão institucional: “Persona Non Grata”
A suspensão de Bruno Allegretti não se limita às salas de aula. A determinação da Unirio impõe uma barreira física, proibindo o acesso do suspeito a qualquer dependência da universidade, incluindo laboratórios, bibliotecas e o restaurante universitário.
“A decisão da suspensão por 4 meses foi determinada diretamente pelo reitor José da Costa Filho. Com isso, fica vedada a circulação de Bruno em qualquer área de convivência da universidade”, destacou a nota oficial da instituição.
Em posicionamento público, a Unirio manifestou repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher e prestou solidariedade à vítima, colocando-se à disposição das autoridades policiais para colaborar com o inquérito.
Histórico escolar: alertas ignorados no Colégio Pedro II
A investigação revelou que o comportamento agressivo não era novidade para alguns dos envolvidos. O Colégio Pedro II, onde estudam outros dois suspeitos — Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, e um adolescente de 17 anos —, informou que a dupla já acumulava um histórico de advertências e suspensões por comportamento inadequado e agressões físicas dentro da unidade de ensino no Humaitá.
Medidas disciplinares em curso:
- Desligamento Administrativo: A reitoria do colégio iniciou o processo para a expulsão definitiva dos dois alunos.
- Processo Disciplinar: Os jovens já respondiam internamente por episódios de violência escolar antes do crime em Copacabana.
O inquérito: a dinâmica da emboscada
Segundo os detalhes apurados pela 12ª DP (Copacabana), o crime ocorreu em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro. A vítima teria sido atraída sob o pretexto de um encontro social, mas acabou cercada por cinco indivíduos.
Cronologia do Ataque:
- O Convite: Um colega de escola (adolescente) convidou a jovem para o apartamento.
- A Emboscada: Já no local, o rapaz informou que amigos estariam presentes para “algo diferente”.
- A Violência: A vítima relatou ter sofrido penetração por todos os cinco presentes, além de agressões físicas como socos, tapas e um chute no abdômen. Ela foi impedida de deixar o quarto durante o ato.
Status jurídico: suspeitos foragidos
A Justiça do Rio de Janeiro já expediu mandados de prisão para os quatro maiores de idade. A defesa de três dos acusados tentou um habeas corpus, que foi prontamente negado.

O Portal dos Procurados divulgou o cartaz com as fotos dos quatro jovens denunciados pelo crime de estupro coletivo. Foto: Divulgação/Disque Denúncia.
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos;
- João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos;
- Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos;
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos.
O caso do menor de idade foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A polícia solicita que qualquer informação sobre o paradeiro dos foragidos seja comunicada anonimamente ao Disque Denúncia.
(Com G1)



