Levantamento aponta 6.904 ocorrências em 2025 e sugere subnotificação nos registros estaduais
O número de vítimas de feminicídio no Brasil em 2025 já ultrapassa em 38% os registros oficiais divulgados pelos órgãos de segurança pública. Ao todo, foram contabilizados 6.904 casos no país, segundo levantamento que cruza informações de boletins de ocorrência, decisões judiciais e dados de secretarias estaduais.
A discrepância evidencia possíveis falhas no enquadramento e na classificação dos crimes. Especialistas afirmam que parte dos homicídios de mulheres ainda é registrada como crime comum, sem a tipificação de feminicídio — categoria prevista na legislação brasileira desde 2015, quando a qualificadora foi incorporada ao Código Penal.
O feminicídio caracteriza-se pelo assassinato de mulheres em razão do gênero, geralmente associado a contextos de violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição feminina. Para pesquisadores da área, a subnotificação compromete a formulação de políticas públicas e dificulta a criação de estratégias eficazes de prevenção.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que divergências entre estados na metodologia de registro e investigação contribuem para a diferença entre os números consolidados e os casos efetivamente identificados. Em algumas unidades da federação, o reconhecimento do feminicídio depende da conclusão do inquérito policial, o que pode atrasar ou impedir a correta classificação.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres alertam que a falta de padronização nos registros mascara a dimensão real da violência de gênero no país. Além disso, destacam que muitas ocorrências deixam de ser notificadas ou enfrentam obstáculos na investigação, especialmente em regiões com estrutura policial limitada.
A legislação brasileira prevê penas mais severas para o feminicídio, com agravantes quando o crime ocorre na presença de familiares, durante a gestação ou contra menores de idade. Ainda assim, entidades avaliam que o enfrentamento ao problema exige integração entre segurança pública, assistência social e políticas de proteção às vítimas.
O aumento dos casos em 2025 reforça o debate sobre a necessidade de aprimorar os mecanismos de monitoramento e garantir maior transparência na divulgação dos dados oficiais.



