“Nossa história não pode ser menosprezada, esquecida ou jogada de lado. Ela tem de ser realçada como merece”, declarou o governador Ronaldo Caiado. “Siron surpreendeu pela forma como descreveu a cidade-mãe do nosso Estado”, completou.
Instalação feita com mais de 16 mil pedras naturais do Cerrado será incorporada ao acervo cultural das celebrações tricentenárias da antiga capital.
O governador Ronaldo Caiado apresentou, na noite desta quarta-feira (7), no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, a obra “Solo Goiano”, do artista plástico Siron Franco. A peça marca o início das comemorações pelos 300 anos da cidade de Goiás, antiga capital do Estado, e foi concebida a partir de 16.700 pedras preciosas e semipreciosas extraídas da própria região.
A criação de Siron remete à fundação da antiga Vila Boa e integra elementos do Cerrado em uma maquete que representa o mapa histórico da cidade. Com 1,70 metro de altura por 2,40 metros de largura, a composição levou cerca de um ano para ser concluída. O artista, natural de Goiás, revelou que chegou a trabalhar até 16 horas por dia na execução da obra. “Eu queria fazer algo inédito. E o que você nunca fez, não sabe o que é. Então, tem que batalhar, desenhar, rasgar muitas folhas de papel até o resultado final”, afirmou.
Durante a cerimônia, Caiado destacou o simbolismo da instalação, idealizada por sua gestão a partir do reaproveitamento de pedras localizadas em imóveis históricos durante restaurações.“Nossa história não pode ser menosprezada, esquecida ou jogada de lado. Ela tem de ser realçada como merece”, declarou. “Siron surpreendeu pela forma como descreveu a cidade-mãe do nosso Estado”, completou.
A primeira-dama Gracinha Caiado, coordenadora do programa Goiás Social, também celebrou a entrega da obra. “A entrega dessa peça é mais que um ato cultural, é um ato de amor à nossa terra e à cidade que deu origem ao Estado”, disse. Ela classificou a obra como a concretização de um “sonho realizado” e exaltou a “sensibilidade e singularidade” de Siron Franco no processo criativo.
Inicialmente, “Solo Goiano” permanecerá exposta no Palácio das Esmeraldas. Em julho, a instalação será transferida de forma definitiva para o Palácio Conde dos Arcos, na cidade de Goiás. O governador se referiu à obra como um “presente antecipado” pelos 300 anos da antiga capital, cuja data será oficialmente celebrada em 2027. “Antecipamos o início dos festejos para 2025”, afirmou.
A secretária de Cultura de Goiás, Yara Nunes, avaliou a obra como uma representação simbólica do território goiano. “Além de representar o mapa, datado de 1728, temos uma amostra do que realmente é o solo goiano. Essas mais de 16 mil pedras demonstram o quão precioso também é o nosso território, elas contam um pouquinho mais das nossas origens”, disse.
O prefeito da cidade de Goiás, Anderson Gouveia, destacou o valor histórico e poético da criação, associando-a à memória da escritora Cora Coralina. “Essa obra de Siron, através de pedras preciosas, faz uma ligação com a nossa maior poetisa, Cora Coralina, que construiu o seu poema sobre pedras. Pedra que significa, ainda, a resistência dessa cidade que teve os solavancos, mas que se manteve de pé, com uma grande missão de ser a guardiã da memória dos goianos e dos brasileiros”, observou.
Reconhecido nacional e internacionalmente, Siron Franco é um dos principais nomes das artes visuais no Brasil. Sua trajetória é marcada por obras com forte conteúdo social, político e ambiental, frequentemente inspiradas nas paisagens e experiências do Brasil Central. Em “Solo Goiano”, o artista buscou “revelar a beleza da natureza pura”, valorizando a ancestralidade e o patrimônio simbólico da antiga capital goiana.