Especialistas avaliam cenário da produção, clima e câmbio para indicar quando o consumidor poderá sentir alívio no bolso
Depois de sucessivas altas que pressionaram o orçamento das famílias brasileiras, o preço do café passou a ser tema recorrente nas conversas entre consumidores e analistas do mercado agrícola. A pergunta que ganha força nas prateleiras e nos lares é direta: há chance de o café ficar mais barato nos próximos meses?
O cenário atual ainda inspira cautela. O grão acumulou aumentos expressivos nos últimos anos, impulsionado por uma combinação de fatores que incluem problemas climáticos, redução de estoques globais, aumento dos custos de produção e volatilidade cambial. O Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, foi impactado por eventos como geadas, secas prolongadas e irregularidade das chuvas, que afetaram a produtividade das lavouras.
Clima e oferta ainda determinam o ritmo do mercado
Especialistas apontam que a tendência de preços depende, sobretudo, do desempenho da próxima safra. Caso as condições climáticas se mantenham favoráveis e a produção avance dentro do esperado, o mercado pode registrar aumento de oferta — fator que costuma exercer pressão para baixo nas cotações.
Por outro lado, qualquer novo evento climático adverso pode comprometer a colheita e sustentar os preços em patamares elevados. A cultura do café é sensível a variações bruscas de temperatura e períodos de estiagem, o que mantém o setor em estado de alerta constante.
Câmbio e cenário internacional também pesam
Outro elemento decisivo é o câmbio. Como o café é negociado em dólar no mercado internacional, a valorização da moeda norte-americana tende a encarecer o produto no mercado interno, mesmo quando a produção é robusta. Se o real se fortalecer frente ao dólar, parte desse impacto pode ser suavizada ao consumidor brasileiro.
Além disso, a demanda internacional segue aquecida, especialmente em mercados tradicionais da Europa, América do Norte e Ásia. A combinação entre exportações firmes e estoques apertados mantém as cotações internacionais em níveis historicamente elevados.
Quando o consumidor pode sentir alívio?
Analistas indicam que eventual redução no preço ao consumidor não costuma ocorrer de forma imediata. Mesmo que as cotações internacionais recuem, há um intervalo até que o efeito seja percebido nos supermercados. Isso ocorre porque a indústria trabalha com estoques previamente adquiridos a preços mais altos.
Assim, caso a próxima safra confirme recuperação consistente e o cenário cambial colabore, o alívio pode começar a aparecer gradualmente nos próximos meses. Ainda assim, a expectativa majoritária é de estabilização antes de uma queda mais significativa.
Tendência é de acomodação, não de recuo abrupto
No curto prazo, a projeção predominante no mercado é de acomodação dos preços, e não de reduções expressivas. A recomposição dos estoques globais e a normalização climática seriam condições fundamentais para que o café volte a patamares mais acessíveis.
Para o consumidor, a orientação dos especialistas é acompanhar promoções e optar por marcas alternativas em períodos de maior pressão inflacionária. Já para o setor produtivo, o foco permanece na recuperação da produtividade e na gestão de riscos climáticos.



