Primeiro relatório do Banco Central no ano indica estabilidade no crescimento do PIB e projeta redução gradual da taxa Selic, atualmente em 15%
O Banco Central (BC) divulgou, nesta segunda-feira (5), o primeiro Boletim Focus de 2026, consolidando as expectativas das principais instituições financeiras para os indicadores macroeconômicos do país. O relatório revela um cenário de relativa estabilidade, com variações marginais nas projeções de preços, enquanto as estimativas para o crescimento da economia e a taxa de câmbio permanecem inalteradas em relação ao fechamento de 2025.
Expectativas para o IPCA e cumprimento da meta
A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 sofreu um leve ajuste, passando de 4,05% para 4,06%. Embora a oscilação seja de apenas 0,01 ponto percentual, o movimento interrompe uma trajetória de oito quedas consecutivas nas estimativas do mercado. Vale notar que, há apenas um mês, o índice esperado era de 4,16%.
A projeção atual situa-se dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta central de inflação é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual (teto de 4,5%). O desempenho recente do IPCA-15, que registrou 4,41% no acumulado de 12 meses até dezembro, reforça a percepção de que a inflação está sob controle, operando dentro do limite superior da meta pelo segundo mês seguido.
Trajetória da taxa selic e política monetária
Um dos pontos de maior atenção para os investidores é o rumo da taxa básica de juros, a Selic. Após encerrar o último ano no patamar de 15% — o nível mais elevado em quase duas décadas —, o mercado financeiro projeta um ciclo de flexibilização monetária ao longo de 2026. A expectativa é que a taxa recue para 12,25% até dezembro, mantendo a tendência de queda para 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.
A manutenção da Selic em patamares elevados tem como objetivo primordial conter a demanda aquecida e ancorar as expectativas de preços. Taxas mais altas encarecem o crédito e incentivam a poupança, mas também impõem freios à expansão econômica. O movimento de redução projetado para este ano sugere uma confiança gradual na convergência da inflação para o centro da meta.
Projeções para o PIB e mercado de câmbio
Em relação à atividade produtiva, o mercado manteve o otimismo moderado. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,8% para 2026 e 2027, com uma ligeira aceleração para 2% em 2028. Esses números refletem uma economia em ritmo de cruzeiro, adaptando-se às condições de crédito ainda restritivas.
No mercado de câmbio, a estabilidade é a nota dominante. Pela 12ª semana consecutiva, os analistas mantiveram a projeção do dólar em R$ 5,50 para o encerramento deste ano. Para os anos subsequentes, as variações são mínimas, com a moeda americana estimada em R$ 5,52 para 2028, indicando uma percepção de ausência de choques externos significativos no curto e médio prazo.



