Reações de governos sul-americanos ao ataque que resultou na captura de Nicolás Maduro vão de condenações firmes a comemorações abertas
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, provocou uma forte fragmentação política na América do Sul. Neste sábado (3), governos da região reagiram de maneira desigual ao episódio, expondo divergências históricas sobre soberania, intervenção estrangeira e o futuro do regime venezuelano.
Embora as manifestações tenham seguido linhas ideológicas distintas, predominou entre vários países a preocupação com uma nova intervenção norte-americana no continente. Líderes que condenaram a ação pediram envolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e defenderam soluções diplomáticas. Já aliados do ex-presidente Donald Trump celebraram a operação e defenderam o reconhecimento da vitória da oposição venezuelana nas eleições de 2024.
Condenações e apelos por mediação internacional
Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação dos Estados Unidos como uma violação grave do direito internacional. Segundo ele, a ofensiva “ultrapassa um limite inaceitável” e cria “um precedente extremamente perigoso”.
“Atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, no qual a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, afirmou.
“Essa ação nos lembra os piores momentos de ingerência política (…) e ameaça a preservação da região como um lugar de paz”.
Colômbia
Aliado histórico de Caracas, o presidente Gustavo Petro reagiu com dureza à captura de Maduro. Ele determinou o reforço das forças de segurança na fronteira e anunciou a oferta de ajuda humanitária diante de um possível fluxo migratório.
“Os conflitos internos entre os povos são resolvidos pelos próprios povos em paz”, declarou o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.
Uruguai
O governo uruguaio adotou uma postura mais cautelosa. O presidente Yamandú Orsi criticou o ataque, mas evitou uma retórica mais dura. “Os fins não justificam os meios”, escreveu em seu perfil na rede social X.
Apoio à ação dos EUA e celebração da queda de Maduro
Argentina
O presidente Javier Milei comemorou a operação com seu conhecido slogan: “Viva la libertad, carajo” (Viva a liberdade, caramba). Em entrevista posterior, assegurou que o país dará “total apoio à moção dos Estados Unidos”.
O governo argentino classificou a ação como “um avanço decisivo contra o narco-terrorismo que afeta a região” e defendeu o reconhecimento da vitória do opositor Edmundo González Urrutia nas eleições de 2024.
Equador
O presidente Daniel Noboa afirmou que “a hora de todos os criminosos narcochavistas está chegando”.
“Sua estrutura acabará por cair em todo o continente”, escreveu no X. Em mensagem direta à oposição venezuelana, declarou: “É hora de recuperar seu país. Vocês têm um aliado no Equador”.
Paraguai
O presidente Santiago Peña definiu a captura de Maduro como “uma boa notícia” e descreveu o governo venezuelano como “regime ilegítimo e ditatorial”. Ele ofereceu apoio técnico e político “para a mudança do regime para um de plena vigência das liberdades e direitos”.
Bolívia
O governo boliviano afirmou apoiar “o povo venezuelano no processo de recuperação da democracia” e avaliou que a crise no país vizinho decorre do “colapso do Estado de Direito” e da consolidação de “estruturas criminosas que capturaram o aparato estatal”.
Peru
O presidente interino José Jerí defendeu a rápida normalização institucional na Venezuela e anunciou apoio ao retorno de mais de um milhão de venezuelanos que vivem no Peru.
“Muitas famílias poderão se reencontrar.”
Chile expõe contradições internas da região
O Chile simbolizou de forma clara as tensões políticas no continente. O presidente Gabriel Boric, em fim de mandato, condenou a ingerência estrangeira, apesar de ser crítico do governo Maduro, e reiterou a defesa de uma “saída pacífica” baseada no direito internacional.
Já o presidente eleito José Antonio Kast, que assume o cargo em março, celebrou a prisão do líder venezuelano. Para ele, trata-se de “uma ótima notícia para a região”.
“Sua permanência no poder, sustentada por um regime narco-ilegítimo, expulsou mais de 8 milhões de venezuelanos e desestabilizou a América Latina por meio do narcotráfico e do crime organizado”, afirmou em sua conta no X.



