Advogada afirma que se sentiu “desamparada” durante permanência no país, mas segue respondendo por injúria racial na Justiça
Declarações após retorno à Argentina geram nova repercussão
A advogada argentina Agostina Páez voltou ao centro de uma nova controvérsia ao comentar sua estadia no Brasil logo após desembarcar em Buenos Aires. Ré por injúria racial em decorrência de um episódio ocorrido em um bar no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, ela afirmou ter se sentido “desamparada” durante o período em que permaneceu no país.
Ao falar com a imprensa no aeroporto, Agostina dirigiu um alerta a compatriotas que planejam viajar ao Brasil e criticou o tratamento que recebeu. “Que conheçam o contexto das leis. Embora eu goste do povo brasileiro, passei por uma situação desagradável. Não significa que sejam maus, mas acontecem muitas coisas ruins no Brasil. E a nós argentinos eles tratam mal, isso sim é certo. É preciso ter cuidado”, declarou.
Caso de injúria racial segue em andamento
As declarações repercutiram intensamente, sobretudo nas redes sociais, onde usuários brasileiros reagiram às críticas relembrando que a advogada responde a processo por racismo no país. O caso teve início em janeiro, quando Agostina foi flagrada discutindo com funcionários de um bar e dirigiu ofensas racistas a um homem negro, utilizando o termo “mono” — que significa macaco em espanhol — além de reproduzir gestos associados ao animal. Conforme a acusação, outras pessoas também teriam sido alvo de insultos.
Apesar do tom crítico adotado nas recentes declarações, a advogada reconheceu arrependimento pela forma como reagiu no episódio. “Me arrependo de ter reagido mal. Apesar do contexto e de tudo, me arrependo de ter reagido dessa forma”, disse ao jornal La Nación. Em seguida, afirmou que pretende encerrar o assunto em âmbito pessoal. “Quero chegar à minha província, Santiago del Estero, reencontrar minha família, meus amigos, e nada mais.”
Permanência no Brasil incluiu medidas cautelares
Agostina permaneceu no Brasil por cerca de dois meses sob medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Sua saída do país só foi autorizada após o pagamento de fiança, estimada em aproximadamente R$ 97 mil, além da devolução do passaporte. Mesmo após o retorno à Argentina, ela continuará respondendo ao processo em tramitação na Justiça brasileira.
A viagem de volta foi acompanhada por familiares e integrantes de sua defesa, incluindo seu pai, Mariano Páez, e os advogados Sebastián Robles e Carla Junqueira. Ao chegar ao país de origem, Agostina afirmou estar aliviada após o período em que, segundo ela, esteve sob intensa exposição pública.



