Caso mobilizou autoridades na Carolina do Norte e na Virgínia desde 2001; Michele Smith afirma que decidiu partir por vontade própria
Duas décadas após desaparecer sem deixar rastros, Michele Lyn Hundley Smith foi localizada com vida e em boas condições de saúde nos Estados Unidos. O sumiço, ocorrido em dezembro de 2001, mobilizou forças policiais em mais de um estado e chegou a envolver o Federal Bureau of Investigation (FBI). Agora, a própria Michele revelou às autoridades que deixou o lar de forma voluntária, motivada por conflitos familiares.
À época do desaparecimento, ela tinha 38 anos e teria saído de casa, na região da Virgínia, alegando que faria compras de Natal. Nunca retornou. Durante anos, familiares e investigadores tentaram reconstruir seus passos, sem sucesso. O caso atravessou fronteiras estaduais, envolvendo equipes da Carolina do Norte e da Virgínia, mas nenhuma pista levou ao seu paradeiro.
A reviravolta ocorreu na última semana, quando a polícia recebeu uma informação concreta sobre sua localização. O contato foi estabelecido no dia seguinte. Michele pediu às autoridades que mantivessem em sigilo sua atual residência e detalhes de sua nova vida.
Segundo o xerife do condado de Rockingham, Sam Page, não há indícios de crime. “Me deixe apenas dizer que não houve alegações de qualquer irregularidade em relação à sua partida”, afirmou à revista People. Ele acrescentou: “Ela disse que foi embora… devido a problemas domésticos contínuos na época”.
De acordo com o xerife, não existem registros policiais de denúncias formais relacionadas a conflitos domésticos envolvendo Michele naquele período.
Mistério que atravessou gerações
O desaparecimento gerou perplexidade, sobretudo porque Michele deixou para trás três filhos — então com sete, 14 e 19 anos. Para familiares, a hipótese de abandono voluntário parecia improvável. Com o passar dos anos, a ausência prolongada alimentou tanto a esperança quanto o luto antecipado.
“Durante anos não sabíamos se devíamos esperar ou fazer o luto. A minha maior questão é ‘O que aconteceu naquele dezembro? O que te fez ir abandonar? O que aconteceu?'”, declarou uma familiar ao jornal britânico Daily Mail.
Após a confirmação de que Michele está viva, as reações foram marcadas por sentimentos ambíguos. A filha Amanda publicou um desabafo nas redes sociais, relatando o impacto emocional da descoberta.
“Quanto às minhas opiniões e sentimentos em relação à minha mãe… Estou extasiada, estou irritada, estou de coração partido, estou completamente confusa! Será que voltarei a ter uma relação com a minha mãe? Sinceramente, não sei responder a essa pergunta, porque nem eu sei. A minha reação inicial seria sim, com certeza, mas depois penso em toda a dor… Mas, mesmo assim, a minha mãe é apenas humana, tal como todos nós”, escreveu.
Ela também ressaltou que, enquanto conviveram, nunca lhe faltou afeto materno.
Nova vida, longe dos holofotes
As autoridades confirmaram que Michele estava vivendo discretamente e não muito distante da região onde desapareceu. O caso, que durante anos foi tratado como potencial crime ou tragédia, encerra-se agora sem indícios de violência — mas com marcas emocionais profundas na família.
O episódio reacende discussões sobre desaparecimentos voluntários e os limites entre o direito individual de recomeçar e o impacto duradouro deixado em parentes que permanecem à espera de respostas.



