Persistência de lesões na pele exige avaliação médica e pode estar associada a diabetes, problemas circulatórios e até câncer
Uma pequena lesão na pele que insiste em não fechar pode parecer algo banal à primeira vista. No entanto, especialistas alertam que feridas crônicas — aquelas que permanecem abertas por semanas ou reaparecem com frequência — podem ser indício de condições clínicas que exigem diagnóstico e tratamento imediatos.
A cicatrização é um processo fisiológico complexo, que envolve resposta inflamatória, formação de tecido novo e remodelação celular. Quando esse mecanismo falha, o organismo pode estar enfrentando obstáculos sistêmicos que vão desde alterações metabólicas até comprometimento vascular.
Diabetes e circulação comprometida
Entre as causas mais comuns está o diabetes descompensado. Níveis elevados de glicose no sangue prejudicam a circulação e afetam a capacidade de regeneração dos tecidos, especialmente nos membros inferiores. Não por acaso, o chamado “pé diabético” figura entre as complicações mais frequentes e pode evoluir para infecções graves e amputações se não houver acompanhamento adequado.
Problemas vasculares, como insuficiência venosa crônica e doença arterial periférica, também dificultam a oxigenação dos tecidos, retardando a cicatrização. Nesses casos, a pele pode apresentar escurecimento, inchaço persistente e dor associada.
Infecções e imunidade baixa
Feridas que apresentam secreção, odor desagradável, vermelhidão intensa ou aumento de temperatura local podem indicar infecção bacteriana. Pessoas com imunidade comprometida — como idosos ou pacientes em tratamento oncológico — têm risco maior de desenvolver complicações.
A demora na cicatrização também pode estar ligada a deficiências nutricionais, sobretudo de proteínas, zinco e vitaminas essenciais à regeneração celular.
Quando há suspeita de câncer de pele
Outro sinal de alerta é a presença de lesões que sangram com facilidade, apresentam bordas irregulares ou mudam de cor e tamanho ao longo do tempo. Nesses casos, é fundamental descartar a possibilidade de câncer de pele, especialmente o carcinoma basocelular ou o carcinoma espinocelular, que podem se manifestar como feridas persistentes.
A exposição excessiva ao sol sem proteção adequada é um dos principais fatores de risco.
Quando procurar ajuda
De modo geral, recomenda-se buscar avaliação médica quando:
- A ferida não apresenta melhora após duas a três semanas;
- Há dor intensa ou sinais de infecção;
- O paciente tem diabetes ou doença circulatória;
- A lesão aumenta de tamanho ou modifica suas características.
O diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações. Em muitos casos, exames laboratoriais e avaliação clínica detalhada são suficientes para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.
Ignorar uma ferida que não cicatriza pode significar adiar o reconhecimento de um problema mais amplo. Observar os sinais do próprio corpo e procurar orientação profissional são medidas essenciais para preservar a saúde e prevenir desfechos graves.

