Dados de janeiro revelam que o Sars-CoV-2 é o vírus mais letal no país, enquanto a baixa adesão vacinal preocupa autoridades de saúde
O início de 2026 acende um sinal de alerta para o sistema de saúde brasileiro. De acordo com o mais recente informativo de Vigilância das Síndromes Gripais, ao menos 29 brasileiros perderam a vida em decorrência de complicações da COVID-19 apenas nas primeiras quatro semanas de janeiro. O número consolida o Sars-CoV-2 como o patógeno mais mortal entre os vírus identificados no período, superando a Influenza e o Rinovírus.
Especialistas alertam que as estatísticas podem ser ainda mais severas, uma vez que “parte das investigações sobre causas de óbito ainda está em andamento ou pode não estar atualizada”, o que sugere uma possível subnotificação nos registros iniciais do ano.
Radiografia da letalidade viral em janeiro
Das 163 mortes confirmadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no primeiro mês do ano, a COVID-19 foi responsável pela maioria dos casos identificados. O cenário de óbitos por agentes etiológicos apresenta a seguinte distribuição:
- COVID-19: 29 óbitos.
- Influenza A (H3N2) e Rinovírus: 7 óbitos cada.
- Influenza A (não subtipada): 6 óbitos.
- Outros vírus (H1N1, Influenza B e VSR): 5 óbitos somados.
Um dado preocupante é o volume de casos sem diagnóstico fechado: das 163 mortes totais, 117 não tiveram o vírus causador identificado. Geograficamente, o estado de São Paulo lidera o ranking de mortalidade confirmada, registrando 15 óbitos entre os 140 casos notificados.
Idosos são as principais vítimas e cobertura vacinal é crítica
O perfil das vítimas reforça a vulnerabilidade da terceira idade. Do total de mortes por SRAG, 108 ocorreram em indivíduos com mais de 65 anos. Especificamente nos casos de COVID-19, 19 dos 29 mortos pertenciam a essa faixa etária. O cenário é agravado por uma adesão vacinal considerada insuficiente pelos órgãos reguladores.
Embora o imunizante tenha sido incluído no calendário básico para grupos prioritários — crianças, idosos e gestantes — a resistência ou o esquecimento da população tem sido um obstáculo. “Cumprir esse calendário tem sido um desafio no Brasil”, aponta o relatório, destacando que, em 2025, de cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde, menos de quatro foram efetivamente aplicadas.
O retrospecto de 2025 e o monitoramento da Fiocruz
Os dados atuais refletem uma tendência observada ao longo de todo o ano passado. Segundo a plataforma Infogripe, da Fiocruz, em 2025 cerca de 10.410 pessoas desenvolveram quadros graves de COVID-19, resultando em aproximadamente 1,7 mil mortes. A baixa cobertura vacinal — com apenas 8 milhões de doses aplicadas das quase 22 milhões distribuídas — é apontada como um fator determinante para a manutenção desses índices de hospitalização e óbito.



