Material contaminado do maior acidente radiológico do país permanece isolado em área monitorada a poucos quilômetros de Goiânia
Quase quatro décadas após o acidente com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987 em Goiânia, os resíduos radioativos seguem armazenados em uma estrutura controlada no município de Abadia de Goiás, a cerca de 23 quilômetros da capital. Considerado o maior acidente radiológico do Brasil, o episódio resultou na geração de aproximadamente 3.500 metros cúbicos de rejeitos contaminados.
Todo esse material foi destinado ao Parque Telma Ortegal, onde permanece confinado em estruturas projetadas para impedir qualquer vazamento de radiação.
Como os resíduos foram armazenados
Os rejeitos —que incluem desde roupas e entulhos até objetos pessoais e animais contaminados— foram acondicionados em uma combinação de 4.223 tambores, 1.343 caixas metálicas e dez contêineres especiais. Parte desse material foi envolvida em chumbo, elemento utilizado para bloquear a radiação.
Esses recipientes foram posteriormente selados em estruturas de concreto com cerca de 50 centímetros de espessura e enterrados sob dois grandes montes simétricos, visíveis na área do parque.
O projeto foi desenvolvido para garantir isolamento total dos resíduos, evitando riscos de contaminação ao solo, à água e ao ambiente ao redor.
Escolha do local e solução definitiva
Inicialmente, o plano era que o armazenamento fosse temporário. No entanto, após estudos técnicos, a área em Abadia de Goiás foi considerada adequada para o confinamento definitivo, sobretudo por apresentar condições geológicas seguras, sem risco de contaminação do lençol freático.
Além disso, especialistas avaliaram que o transporte do material para outro local poderia aumentar os riscos de exposição, o que levou à decisão de manter os rejeitos onde já estavam acondicionados.
Monitoramento ambiental contínuo
Para assegurar que não haja impactos ambientais, o local é acompanhado regularmente por equipes técnicas. O Programa de Monitoramento Ambiental de Rejeitos Radioativos, conduzido pelo Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, realiza análises trimestrais.
As avaliações incluem o controle da qualidade do solo, da água, da vegetação e dos sedimentos da região, garantindo que os níveis de radiação permaneçam dentro dos padrões de segurança.
Parque Telma Ortegal: proteção e educação
A área onde estão enterrados os resíduos foi transformada em unidade de conservação com a criação do Parque Telma Ortegal, instituído por lei em 1995. Dois anos depois, o espaço recebeu o nome atual em homenagem à primeira prefeita do município.
Além de funcionar como uma barreira contra a expansão urbana sobre a área contaminada, o parque também cumpre papel educativo. O local recebe estudantes de escolas públicas e privadas, com atividades voltadas à conscientização sobre o acidente radiológico e os riscos do contato com materiais radioativos.
Legado de um dos maiores acidentes radiológicos do mundo
O episódio envolvendo o Césio-137 deixou marcas profundas em Goiás e se tornou referência internacional em protocolos de resposta a acidentes nucleares. A destinação e o monitoramento dos resíduos são considerados etapas fundamentais para evitar novos riscos à população e ao meio ambiente.
(Com R7)



