Novo modal de transporte urbano será implantado no centro da capital; tecnologia utiliza ímãs, comporta até 300 passageiros e pode operar de forma autônoma
O centro de São Paulo deverá receber em breve um novo sistema de transporte coletivo. Em vez do tradicional VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), a prefeitura anunciou a implantação do VLE (Veículo Leve sobre Rodas), conhecido como “bonde digital”. O modelo dispensa trilhos, circula sobre o asfalto com auxílio de ímãs e pode operar tanto com motorista quanto de forma autônoma.
O anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes nesta segunda-feira (13), que encaminhou ao Tribunal de Contas do Município o processo inicial para implantação do projeto. Segundo ele, a decisão foi motivada por questões técnicas e financeiras. “O estudo original previa R$ 4,1 bilhões. Com as readequações, o valor caiu para R$ 2,1 bilhões. O sistema sobre trilhos exige inclinação máxima de 9 graus nas vias. Nossas curvas teriam 7 graus, o que tornaria o projeto arriscado”, explicou.
Tecnologia já testada no Paraná
O VLE combina características do VLT e do BRT. Os veículos são elétricos, medem cerca de 30 metros, têm capacidade para aproximadamente 300 passageiros e podem atingir até 70 km/h. O mesmo sistema já está em fase de testes na Região Metropolitana de Curitiba desde dezembro de 2025, onde é chamado de BUD (Bonnie Urbano Digital).
O trajeto experimental liga o Terminal São Roque (Piraquara) ao Terminal Metropolitano de Pinhais, em percurso de dez quilômetros. Por lá, o veículo circula como ônibus, mas com formato de VLT, e possui prioridade para troca de faixas.
Segundo Gilson Santos, diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná, o modelo apresenta vantagens: “Ele tem maior capacidade de carga e atende melhor os grandes eixos de ligação entre a região metropolitana e a capital. Diferente do BRT elétrico, não usa bateria, mas sim um supercapacitor. E, por não depender de trilhos, pode ser implantado em vias compartilhadas com outros veículos”.
Atualmente, o BUD opera em horários reduzidos, mas a expectativa é ampliar os testes para períodos de maior movimento.
Projeto paulistano
De acordo com a SP Urbanismo, o traçado previsto para o VLT será mantido no novo sistema, com duas linhas que somam cerca de 12 quilômetros, ligando bairros como Bom Retiro e Brás a pontos estratégicos do centro, incluindo o Mercado Municipal, a Rua 25 de Março, o Vale do Anhangabaú e a Praça da Sé.
O modal será integrado a terminais de ônibus, estações de metrô e da CPTM, além do BRT da Radial Leste e da futura Linha Celeste. A execução ocorrerá por meio de parceria público-privada (PPP). A licitação, inicialmente prevista para 2026, deverá ser ajustada, mas a prefeitura espera realizar o certame ainda neste ano.
