Fatores biológicos como emissão de gás carbônico e compostos do suor determinam a preferência dos insetos
A sensação de ser o alvo preferencial de mosquitos em um ambiente compartilhado não é mera impressão ou fruto do folclore popular sobre o “sangue doce”. A ciência demonstra que a escolha das vítimas por esses insetos hematófagos é pautada por uma combinação complexa de sinais químicos, térmicos e genéticos. Através de sensores altamente especializados, os mosquitos identificam hospedeiros que emitem sinais específicos, tornando alguns indivíduos estatisticamente mais propensos a picadas do que outros.
O papel do metabolismo e do gás carbônico
Um dos principais rastreadores utilizados pelos mosquitos é o dióxido de carbono ($CO_2$) expelido durante a respiração humana. O inseto consegue detectar correntes de $CO_2$ a dezenas de metros de distância. Consequentemente, pessoas com taxas metabólicas mais elevadas — que exalam maiores volumes do gás — tendem a atrair mais insetos.
Somado a isso, compostos voláteis presentes na transpiração atuam como potentes atrativos químicos.
“Tanto a transpiração quanto a temperatura corporal podem atrair ou inibir a chegada dos insetos na pele. Algumas substâncias expelidas na transpiração, como ácido lático, ácido úrico e amônia, são atrativas para os mosquitos”, detalha a dermatologista Simone Neri.
Perfis de maior atratividade segundo a ciência
Diversos estudos mapearam características que elevam o status de “favorito” para os mosquitos. Entre os fatores de risco biológico e comportamental, destacam-se:
- Gestantes: Devido ao aumento da temperatura corporal e a uma exalação de $CO_2$ cerca de 21% superior à média, mulheres grávidas são alvos frequentes.
- Praticantes de atividades físicas: O exercício eleva a temperatura da pele e a produção de ácido lático, sinalizando um hospedeiro ativo para o inseto.
- Tipo sanguíneo O: Pesquisas indicam que indivíduos com este grupo sanguíneo podem ser picados com frequência até duas vezes maior que aqueles do tipo A.
- Consumo de álcool: A ingestão de bebidas alcoólicas, especialmente cerveja, altera o odor corporal e a temperatura cutânea, aumentando a atratividade imediata.
Estratégias de defesa e saúde pública
A proteção contra mosquitos transcende o alívio do incômodo cutâneo, sendo uma barreira fundamental contra patógenos graves, como os vírus da dengue, zika e febre amarela. A prevenção deve ser multifatorial, combinando barreiras químicas e físicas.
O uso de repelentes com princípios ativos recomendados pela Anvisa (como Icaridina, DEET ou IR3535) é a medida individual mais eficaz. Para ambientes domésticos, a instalação de telas em janelas e o controle de horários de ventilação — evitando aberturas ao amanhecer e entardecer — reduzem drasticamente a entrada dos vetores. Em casos de sensibilidade química, extratos naturais como a citronela oferecem uma proteção auxiliar, embora com tempo de ação geralmente inferior aos sintéticos.



