Caso veio à tona após criança entrar em trabalho de parto; mãe também foi detida e perdeu a guarda das filhas
Uma operação da Polícia Civil do Amazonas culminou, nesta terça-feira (07/04), na detenção de um homem de 23 anos e de uma mulher de 30 anos no município de Nova Olinda do Norte. A ação policial foi desencadeada após a confirmação de que duas irmãs, de apenas 8 e 10 anos, eram submetidas a abusos sexuais sistemáticos. O caso, que chocou a região, revela indícios de que o casal teria se deslocado da cidade de Itacoatiara com o objetivo deliberado de esconder a gestação de uma das menores.
As autoridades foram acionadas na última sexta-feira (03/04), quando a criança mais velha deu entrada em uma unidade de saúde em pleno trabalho de parto, expondo a gravidade da situação de vulnerabilidade em que as vítimas se encontravam.
Triangulação de abusos e omissão materna
Segundo os levantamentos conduzidos pela Polícia Civil, o padrasto das meninas é apontado como o autor dos crimes. O delegado Paulo Mavignier, responsável pelo caso, utilizou plataformas digitais para esclarecer que os atos de violência eram recorrentes e ocorriam no ambiente doméstico. O inquérito aponta que a descoberta só foi possível devido à necessidade inadiável de intervenção médica para o nascimento do bebê.
A investigação também recai sobre a genitora das crianças. De acordo com o delegado, durante o atendimento hospitalar, a mulher apresentou depoimentos contraditórios na tentativa de blindar o companheiro e evitar que a rede de proteção fosse acionada.
“A mãe deu várias ‘desculpas’ com a intenção de proteger o companheiro e esconder informações que ela já sabia”, relatou Mavignier, sublinhando a conivência da suspeita diante do sofrimento das filhas.
Rápida resposta judicial e custódia das vítimas
Diante do laudo médico que atestou o estupro de vulnerável em ambas as irmãs, o Poder Judiciário emitiu mandados de prisão preventiva com agilidade. A mãe foi detida ainda nas dependências do hospital, enquanto o padrasto foi capturado pelas equipes policiais em uma área central do município.
Além da privação de liberdade dos envolvidos, a Justiça determinou a perda imediata do pátrio poder pela genitora. As crianças agora estão sob a proteção do Estado e recebem acompanhamento multidisciplinar para lidar com os traumas físicos e psicológicos decorrentes da violência sofrida.
Andamento do processo investigativo
A Polícia Civil do Amazonas mantém as diligências ativas para apurar se houve a participação ou negligência de outros familiares no período em que o casal residia em Itacoatiara. O caso segue sob segredo de Justiça para preservar a identidade e a integridade das menores, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).



