Manaus lidera elevação com salto de 7,42%, enquanto São Paulo consolida-se como a cidade com o conjunto de alimentos mais caro do país
O orçamento das famílias brasileiras sofreu uma nova pressão inflacionária no encerramento do primeiro trimestre de 2026. Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Conab, revelam que o valor dos itens essenciais subiu em todas as capitais do país e no Distrito Federal. A capital amazonense, Manaus, apresentou o maior índice de reajuste mensal (7,42%), evidenciando um cenário de alta disseminada que atinge desde as metrópoles do Sudeste até os centros urbanos do Nordeste.
No acumulado deste ano, a trajetória de preços é ascendente em todo o território nacional, com variações que chegam a 10,93% em Aracaju, refletindo o impacto de fatores climáticos e logísticos na mesa do consumidor.
Crise na oferta do feijão impulsiona os indicadores
O principal vilão do mês de março foi o feijão, que registrou aumento em todas as praças pesquisadas. A escassez do produto no mercado, provocada por entraves na colheita e redução da oferta, forçou reajustes severos tanto na variedade preta quanto na carioca. Em Belém, o tipo carioca chegou a sofrer uma valorização de 21,48%, enquanto Florianópolis liderou a alta do feijão preto com 7,17%.
Além do grão, outros itens fundamentais para a dieta básica do brasileiro apresentaram tendência de alta:
- Hortifrúti: O tomate manteve a trajetória de encarecimento.
- Proteína animal: A carne bovina de primeira registrou novos aumentos.
- Laticínios: O leite integral também contribuiu para a elevação do custo médio.
Disparidades regionais e o valor em São Paulo
A capital paulista segue ostentando o título de cesta básica mais cara do Brasil, com um valor médio de R$ 883,94. Logo atrás figuram o Rio de Janeiro (R$ 867,97) e Cuiabá (R$ 838,40). No extremo oposto, cidades do Norte e Nordeste, cujas cestas possuem composições distintas, registram os menores valores nominais, com Aracaju apresentando o conjunto mais acessível, cotado a R$ 598,45.
Apesar das diferenças regionais, o encarecimento generalizado acentua o desafio do poder de compra, especialmente para as camadas da população que dependem do piso salarial nacional.
O abismo entre o salário mínimo atual e o necessário
A pesquisa do Dieese utiliza o valor da cesta de São Paulo como referência para calcular o salário mínimo ideal, conforme as garantias constitucionais de bem-estar. O levantamento concluiu que, para suprir as necessidades básicas de uma família com alimentação, moradia, saúde e educação, o piso nacional deveria ser fixado em R$ 7.425,99.
Este valor representa 4,58 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00, expondo a defasagem entre o rendimento oficial e o custo real de vida no cenário econômico de 2026.


