Teerã rejeita proposta de Washington e mediação internacional; ataques atingem instalações estratégicas e ampliam risco de guerra regional
A crise entre Irã e Estados Unidos atingiu um novo patamar nesta terça-feira (7), após Teerã ignorar o prazo imposto pelo presidente Donald Trump para um acordo e intensificar ações militares em diferentes frentes. Mesmo diante de tentativas de mediação lideradas pelo Paquistão e apoiadas por países como Egito, Turquia e Catar, não houve avanço diplomático.
Horas antes do vencimento do ultimato estabelecido por Washington, explosões voltaram a ser registradas na capital iraniana e em regiões vizinhas. Paralelamente, sistemas de defesa aérea de Israel foram acionados para interceptar mísseis lançados a partir do território iraniano.
Na véspera, Trump havia reiterado a ameaça de destruir infraestruturas consideradas essenciais no Irã caso não houvesse resposta até o horário limite estipulado pela Casa Branca.
Impasse diplomático e exigências divergentes
O governo iraniano recusou um plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos, assim como a proposta de cessar-fogo intermediada por países aliados. Em contraposição, Teerã apresentou um conjunto próprio de exigências, incluindo garantias contra novos ataques, pagamento de reparações de guerra e o fim de sanções internacionais.
Entre os pontos defendidos pelo regime iraniano estão ainda a manutenção de seus programas nucleares e de mísseis balísticos, além do controle estratégico do Estreito de Ormuz em cooperação com Omã e o encerramento de conflitos paralelos na região, como as ações militares envolvendo Israel e o Hezbollah no Líbano.
A retórica do governo iraniano também endureceu. “Estamos prontos para lutar por mais seis meses”, afirmaram oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica, sinalizando disposição para prolongar o confronto. Segundo os militares, o país poderia ainda bloquear o estreito de Bab el-Mandeb com apoio de forças aliadas no Iêmen.
Apesar do tom combativo, o embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, classificou o momento atual como “crítica” e “delicada”, indicando preocupação com os desdobramentos.
Ataques ampliam tensão regional
Enquanto negociações seguem travadas, Israel confirmou uma série de bombardeios contra alvos estratégicos iranianos, incluindo um importante complexo petroquímico no sul do país, responsável por parcela significativa da produção nacional.
Relatos da agência estatal Mehr apontam ainda a destruição completa da sinagoga de Rafi-Nia, em Teerã, durante ataques realizados na manhã desta terça-feira.
Em paralelo, autoridades israelenses recomendaram que a população iraniana evite o uso de trens, em um indicativo de possíveis ofensivas contra a malha ferroviária.
A escalada também atingiu países vizinhos. Um combatente do Hezbollah foi morto em território iraquiano próximo à fronteira com a Síria. A ação foi atribuída por grupos locais a forças dos Estados Unidos e de Israel.
Golfo sob pressão e risco de colapso energético
Como demonstração de força, o Irã lançou ataques contra bases americanas e instalações energéticas no Golfo Pérsico. Mísseis também foram direcionados à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos.
O governo saudita informou ter interceptado sete mísseis balísticos, cujos destroços caíram nas proximidades de estruturas elétricas. Por precaução, a ponte que liga o país ao Bahrein foi temporariamente fechada.
Já os Emirados Árabes Unidos confirmaram que suas defesas estão respondendo a ofensivas com mísseis e drones.
Em meio à escalada, o embaixador iraniano no Kuwait fez um apelo para evitar uma “tragédia” de grandes proporções, reforçando o temor de um conflito generalizado na região.
Civis são atingidos em áreas periféricas do conflito
A violência também alcançou áreas civis. No Curdistão iraquiano, um casal morreu após um drone carregado com explosivos cair sobre uma residência. Autoridades locais confirmaram outras explosões na região, incluindo nas proximidades do aeroporto de Erbil, onde atuam forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
No Iêmen, rebeldes houthis — aliados do Irã — reivindicaram novos ataques contra Israel. Segundo o grupo, a ofensiva foi coordenada com forças iranianas e com o Hezbollah libanês, tendo como alvo estruturas consideradas estratégicas e militares.
O cenário atual indica um agravamento significativo da crise, com múltiplos atores envolvidos e crescente risco de desestabilização em larga escala no Oriente Médio.
(Com RFI e AFP)



