Emergência sanitária expõe vulnerabilidade das comunidades indígenas
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou como “crítica” a situação de Dourados (MS), município que enfrenta uma explosão de casos de chikungunya e já decretou estado de emergência.
“Quando se trata de saúde, de vidas humanas, a responsabilidade é global. Não estamos aqui para dizer que a responsabilidade era do município, do governo estadual ou do governo federal. Estamos aqui para reconhecer esta situação crítica. Portanto, não temos uma posição negacionista e vamos enfrentá-la”, afirmou Terena, durante visita à cidade nesta sexta-feira (3).
De acordo com dados oficiais, entre janeiro e início de abril, Mato Grosso do Sul registrou 1.764 casos confirmados da doença, incluindo 37 gestantes, além de quase dois mil casos em análise. Dourados concentra 759 registros, o maior número absoluto do estado. O impacto é ainda mais severo nas comunidades indígenas, onde ocorreram cinco dos sete óbitos registrados — dois deles de bebês com menos de quatro meses.
Mobilização nacional contra o Aedes aegypti
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu a emergência em 30 de março, após decreto municipal. Desde então, o governo federal anunciou medidas para conter o avanço da doença, incluindo o envio da Força Nacional do SUS e a liberação de R$ 3,1 milhões para ações emergenciais.
Os recursos serão aplicados em assistência humanitária, limpeza urbana e vigilância epidemiológica. Parte do montante já está disponível para contratações emergenciais de serviços e equipamentos.
Além disso, o Ministério da Saúde confirmou a contratação temporária de 50 agentes de combate a endemias, dos quais 20 iniciaram atividades neste sábado (4). Eles atuarão em conjunto com 40 militares do Ministério da Defesa, reforçando o controle dos focos do mosquito transmissor.
“A assistência é uma das partes importantes e a gente vai entrar com ações contundentes de controle vetorial para reduzir esta pressão nos serviços [de saúde]”, destacou Daniel Ramos, representante da pasta.
Desafios na reserva indígena
A Força Nacional do SUS mantém equipes em aldeias como Bororó e Jaguapiru, mas o cenário epidemiológico segue instável. “O cenário está muito dinâmico. Ele vem se mostrando, dia após dia, com um perfil epidemiológico diferenciado. Então, a gente não está conseguindo ainda afirmar se há uma diminuição ou um aumento [do número de casos] nesta ou naquela aldeia”, explicou Juliana Lima, representante da força-tarefa.
Terena também cobrou da prefeitura maior atenção à coleta de lixo nas aldeias indígenas, apontando que a falta de manejo adequado de resíduos favorece a proliferação do mosquito. “Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas”, disse o ministro.



