Presidente dos EUA projeta ofensiva de “extrema dureza” para as próximas duas semanas caso Teerã não aceite acordo de rendição
A tensão no Oriente Médio atingiu seu ponto de ebulição nesta quinta-feira (02/04). Em pronunciamento oficial na Casa Branca, o presidente Donald Trump subiu o tom da retórica militar, prometendo uma escalada sem precedentes na ofensiva iniciada em 28 de fevereiro. Com o conflito ultrapassando a marca de um mês, o líder norte-americano estipulou um prazo de duas a três semanas para que o regime iraniano aceite os termos de Washington, sob pena de ver sua estrutura energética e tecnológica ser completamente devastada.
A estratégia de “pressão máxima” busca não apenas a neutralização de ameaças bélicas, mas a reconfiguração total da economia do Golfo Pérsico, com foco na reabertura forçada de rotas comerciais.
Ameaça de destruição sistêmica e foco energético
Trump foi explícito ao detalhar o próximo passo da campanha aérea conduzida em coalizão com Israel. Segundo o republicano, a ausência de um entendimento diplomático imediato resultará em ataques coordenados e simultâneos contra a malha elétrica e de geração de energia do Irã.
“Vamos atacá-los com extrema dureza nas próximas duas a três semanas. Vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem. Enquanto isso, as negociações continuam”, declarou Trump.
O presidente justificou a agressividade da operação ao reiterar relatórios de inteligência que apontam tentativas de Teerã em reconstruir seu programa atômico em instalações clandestinas. Para a Casa Branca, a omissão diante dessas movimentações representaria um risco existencial.
“Se não houver acordo, vamos atacar todas as suas usinas de energia com muita força e, provavelmente, ao mesmo tempo. Permitir que esses terroristas tenham uma arma nuclear seria uma ameaça intolerável”, completou o mandatário.
Controle do Estreito de Ormuz e críticas aos aliados
Um dos pilares do discurso presidencial foi a segurança energética global. Trump defendeu que, após a neutralização das capacidades ofensivas iranianas, o Estreito de Ormuz deve ser pacificado para permitir o fluxo contínuo de petróleo, o que, em sua visão, causaria uma queda acentuada nos preços internacionais e a estabilização dos mercados.
Entretanto, o presidente não poupou críticas aos membros da Otan e a outros países dependentes do óleo bruto da região por não oferecerem suporte logístico ou militar na linha de frente.
“Vão até o estreito, tomem controle, protejam e usem”, instou o presidente, sugerindo que as nações beneficiadas pela rota assumam a responsabilidade direta pela sua custódia.
Incertezas sobre o envio de tropas e o futuro da Otan
Apesar do endurecimento das ameaças aéreas e do reforço de ativos militares no Oriente Médio, o Pentágono ainda não confirmou se haverá o desembarque de forças terrestres (boots on the ground) em território iraniano. Trump evitou dar detalhes sobre a duração total da incursão ou sobre como pretende recompor a relação com os aliados europeus, que permanecem reticentes quanto à legitimidade e aos riscos de uma guerra total na região.



