Presidente dos EUA celebra suposta mudança de postura de Masoud Pezeshkian, mas impõe reabertura total do Estreito de Ormuz como condição inegociável
O cenário diplomático entre Washington e Teerã mergulhou em uma guerra de narrativas nesta quarta-feira (01/04). Por meio de sua rede social, Truth Social, o presidente Donald Trump declarou que o novo mandatário iraniano, Masoud Pezeshkian, teria solicitado formalmente um cessar-fogo para interromper as hostilidades que já duram 33 dias. No entanto, a versão foi prontamente rebatida pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã e pela Guarda Revolucionária (IRGC), que negaram qualquer recuo estratégico.
A suposta abertura para o diálogo ocorre em um momento de pressão máxima, com Trump alternando entre o reconhecimento da inteligência do adversário e ameaças de aniquilação total da infraestrutura persa.
Condições drásticas para o fim do bombardeio
Apesar de classificar Pezeshkian como “muito menos radicalizado”, Trump foi enfático ao estabelecer as balizas para qualquer interrupção dos ataques aéreos. O foco central da Casa Branca permanece sendo o Estreito de Ormuz, por onde escoa parcela significativa do petróleo mundial e que se encontra sob bloqueio.
“Consideraremos a questão quando o estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido. Até lá, vamos bombardear o Irã até a sua destruição ou, como se diz, de volta à Idade da Pedra”, publicou o presidente americano.
Em resposta, a cúpula militar iraniana afirmou que a Marinha da IRGC mantém o “pleno controle” das águas territoriais e que não haverá reabertura sob as condições impostas pelos Estados Unidos. À rede Al Jazeera, porta-vozes de Teerã foram taxativos ao afirmar que as declarações de Trump sobre o pedido de trégua “não são verdadeiras”.
Pronunciamento oficial e incerteza no mercado
A expectativa global se volta agora para as 21h em Washington (22h em Brasília) desta quarta-feira. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que Donald Trump fará um pronunciamento em rede nacional para trazer uma “atualização importante” sobre os rumos da guerra.
A oscilação de tom do presidente tem gerado instabilidade. Se na segunda-feira o alvo eram os campos de petróleo e a Ilha de Kharg, na terça o republicano chegou a classificar um acordo imediato como “irrelevante”. Essa imprevisibilidade é vista por analistas como uma tática de exaustão psicológica antes de um possível anúncio de intensificação da ofensiva ou de uma proposta final de rendição.
Cronologia de um conflito de 33 dias
O embate atingiu a marca de pouco mais de um mês com danos severos à infraestrutura militar iraniana e impactos diretos no preço global dos combustíveis. Enquanto Washington utiliza sua supremacia aérea para forçar a abertura das rotas comerciais, Teerã aposta na resistência assimétrica e no controle de pontos geográficos sensíveis para manter o poder de barganha.
