Ataque de drones contra embarcação com 2 milhões de barris de óleo eleva crise no Estreito de Ormuz; Casa Branca ameaça destruir infraestrutura energética iraniana caso bloqueio persista
O cenário de guerra no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta terça-feira (31/03). Mesmo sob a ameaça direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bombardear usinas e poços de petróleo em território iraniano, forças de Teerã atacaram e incendiaram o superpetroleiro Al-Salmi, de bandeira kuwaitiana, ao largo da costa de Dubai. O incidente é o mais recente de uma série de agressões a navios mercantes que tentam cruzar o Estreito de Ormuz, rota por onde transita um quinto da energia global.
Apesar da ofensiva, autoridades de Dubai informaram que o incêndio foi controlado e que não houve derramamento de óleo ou feridos entre a tripulação. A Kuwait Petroleum Corp, proprietária do navio, confirmou danos estruturais no casco da embarcação, que transportava uma carga avaliada em mais de US$ 200 milhões.
Erro de alvo e riscos para o abastecimento global
Análises de inteligência sugerem que o Al-Salmi pode não ter sido o objetivo principal da Guarda Revolucionária do Irã. Informações de navegação indicam que o alvo pretendido seria o porta-contêineres Haiphong Express, de Cingapura, devido a supostas ligações com Israel. No momento do ataque, ambas as embarcações estavam ancoradas lado a lado.
Dados do serviço de monitoramento TankerTrackers.com revelam a magnitude do risco ambiental e econômico: o petroleiro seguia para a China carregando 1,2 milhão de barris de petróleo saudita e 800 mil barris de origem kuwaitiana. O ataque provocou uma nova oscilação de alta nos preços internacionais do barril, refletindo o temor de um colapso logístico prolongado.
Escalada militar e o ultimato de Washington
A retórica entre Washington e Teerã atingiu o ponto de ruptura. O presidente Donald Trump reiterou que a paciência estratégica dos EUA chegou ao fim, sinalizando que alvos civis e econômicos iranianos, como a Ilha de Kharg — principal terminal de exportação do país — e poços de petróleo, estão na mira americana.
“Os EUA destruiriam usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg se um acordo não fosse alcançado em breve e o estreito não fosse aberto”, alertou Trump, referindo-se às exigências de um novo acordo de paz que Teerã classificou recentemente como “irrealistas e ilógicas”.
Enquanto Trump afirma negociar com o que chama de “regime mais razoável” — em alusão aos novos líderes que assumiram postos durante o conflito —, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu as propostas enviadas por intermediários, mantendo o impasse diplomático.
Mediação internacional e alerta na Europa
Diante da paralisia nas negociações diretas, o Paquistão emergiu como mediador. O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, iniciou uma rodada de conversas com Turquia, Egito e Arábia Saudita, e deve levar o tema à China nesta terça-feira. Pequim, principal compradora do óleo iraniano, renovou o apelo pela cessação das hostilidades, embora tenha conseguido permissão para que três de seus navios atravessassem o estreito recentemente.
Na Europa, o clima é de apreensão. O chefe de energia da União Europeia emitiu um alerta formal para que os Estados-membros se preparem para uma “interrupção prolongada” no fornecimento, o que pode forçar medidas de racionamento ou busca acelerada por fontes alternativas de energia.



