Melissa Apprigio quebra o silêncio após Tribunal de Justiça do Pará manter pena superior a 30 anos contra o músico Bruno Mafra; em relato contundente sobre abuso sexual intrafamiliar, jovem descreve “luto de enterrar um genitor em vivo” e encerra ciclo de sete anos de batalha nos tribunais
O desfecho de um dos processos mais impactantes do Judiciário paraense ganhou um capítulo de forte carga emocional e simbólica neste fim de semana. Melissa Apprigio, filha do cantor Bruno Mafra, manifestou-se publicamente após o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) ratificar a condenação do artista a mais de 30 anos de reclusão por crime de abuso sexual cometido contra as próprias filhas.
O pronunciamento, realizado por meio de uma plataforma digital, marca o fim de uma jornada de quase uma década em busca de responsabilização criminal, evidenciando as cicatrizes profundas deixadas pela violência doméstica e a resiliência das vítimas.
O luto de um pai “Enterrado em Vida”
No depoimento, Melissa utilizou metáforas potentes para descrever a desconexão definitiva com a figura biológica do agressor. A jovem diferenciou a função afetiva da paternidade da realidade dos fatos que culminaram na sentença.
- O Peso da Sentença: A manutenção da pena de três décadas reflete a gravidade dos atos e a robustez das provas apresentadas durante o rito processual.
- Resiliência Combativa: Melissa enfatizou que, embora tenha ocupado o papel de vítima, escolheu a via da confrontação judicial para garantir que o crime não ficasse impune.
- Encerramento de Ciclo: O desabafo sinaliza a tentativa de reconstrução de identidade das irmãs após a validação de seus relatos pela Justiça.
“Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai”, declarou Melissa Apprigio, pontuando a dor da transição emocional.
Uma batalha de sete anos
A conclusão deste caso não foi imediata. A jovem relembrou a morosidade e as barreiras enfrentadas desde as primeiras denúncias até a decisão colegiada do Tribunal.
- A Denúncia Inicial: O processo atravessou diversas fases de instrução e julgamento, exigindo das vítimas a reiteração de traumas diante das autoridades.
- A Resposta do Estado: Para Melissa, o veredito atual é mais do que uma punição; é uma resposta social e jurídica necessária.
- O Futuro: A jovem descreveu o momento como o “começo de uma história que a gente quer encerrar”, focando agora na superação pessoal.
“Eu sempre digo que, apesar de eu ter sido vítima, eu sou combativa. Eu lutei. E foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta”, afirmou a jovem em seu vídeo.
Impacto e repercussão social
O caso de Bruno Mafra reacende o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente familiar e a importância do acolhimento institucional às denúncias de abuso. A coragem das filhas em levar o caso às últimas instâncias é vista por especialistas como um marco de encorajamento para outras vítimas de crimes silenciados pelo medo e pela estrutura de poder doméstico.



