Tensões no Oriente Médio e entraves internos elevam pressão sobre oferta e preços no país
O fantasma do desabastecimento voltou a rondar o mercado de energia brasileiro. Em uma demonstração de unidade rara, as principais associações que compõem a cadeia de combustíveis — incluindo Abicom, Fecombustíveis e Sindicom — emitiram um alerta conjunto sobre a fragilidade do suprimento nacional. O documento destaca que a combinação explosiva entre o acirramento dos conflitos no Oriente Médio e a dependência de importações pode comprometer a regularidade das bombas nos postos caso medidas estruturais de urgência não sejam validadas pelo governo federal.
A preocupação central reside na incapacidade das medidas paliativas, como a desoneração de tributos, em conter o efeito cascata provocado pela disparada do barril de petróleo no mercado internacional.
O gargalo da importação e a pressão dos preços
Diferente de anos anteriores, o Brasil hoje depende significativamente de refinarias privadas e importadores independentes para complementar a produção da Petrobras. Como esses agentes operam sob a lógica de paridade internacional, qualquer distorção entre o preço interno e o externo inviabiliza a vinda do produto para o país.
- Reajuste na Refinaria: A Petrobras oficializou uma alta de R$ 0,38 por litro no diesel A. Na prática, estima-se que o impacto nas bombas (diesel B) seja de aproximadamente R$ 0,32, já considerando a mistura de biodiesel.
- Inércia das Medidas: Embora o governo tenha anunciado a redução a zero do PIS/Cofins e uma subvenção de R$ 0,32, as entidades afirmam que os efeitos não são imediatos e não garantem o alívio necessário para estabilizar o fluxo logístico.
Insegurança energética e a crise global
O cenário externo é o principal motor da crise. A instabilidade em rotas estratégicas de exportação no Golfo Pérsico elevou a volatilidade a patamares críticos. Sem uma sinalização clara de previsibilidade de custos, importadores temem prejuízos operacionais, o que pode levar à interrupção de novas encomendas de combustível para o mercado brasileiro.
“Faz-se necessária a adoção de providências, com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional”, sentenciaram as organizações na nota oficial.
Diálogo e busca por estabilidade
As entidades, que representam desde o refino até a revenda final no Sincopetro e Brasilcom, reforçaram que estão abertas ao diálogo com o Ministério de Minas e Energia. A proposta é construir uma solução que garanta a segurança energética sem destruir a viabilidade econômica dos agentes privados, que hoje são responsáveis por uma fatia relevante do diesel consumido no agronegócio e no transporte de cargas.
A manutenção do funcionamento regular do mercado depende agora de uma resposta ágil de Brasília para evitar que a volatilidade internacional se transforme em prateleiras vazias e caminhões parados nas rodovias brasileiras.



