Declarações do presidente norte-americano ampliam tensão diplomática enquanto país caribenho enfrenta apagões e escassez de combustível
Falas inéditas acirram cenário geopolítico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá “ter a honra” de “tomar Cuba” e agir conforme desejar em relação ao país caribenho, em uma das declarações mais contundentes já feitas sobre o futuro da ilha.
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump declarou: “Toda a minha vida ouvi falar de Cuba e dos EUA. Quando os EUA iriam fazer isso? Acho que terei… a honra de tomar Cuba.” Em seguida, reforçou o tom ao afirmar: “Seja libertando-os, tomando-os — acho que poderei fazer o que quiser com eles, para dizer a verdade.”
As falas ocorrem em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Havana, mesmo diante de tentativas recentes de diálogo entre os dois países.
Crise energética agrava vulnerabilidade cubana
As declarações foram feitas no mesmo dia em que Cuba registrou um apagão de grandes proporções, após o colapso de seu sistema elétrico nacional, deixando milhões de pessoas sem energia.
A crise energética se intensificou nos últimos meses, impulsionada pela escassez de combustível — fator agravado por restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo à ilha.
O governo cubano reconhece que o país está há meses sem receber remessas significativas de petróleo, o que compromete diretamente a geração de eletricidade e amplia a frequência dos apagões.
Pressão internacional e isolamento econômico
Nos últimos meses, Washington endureceu sua política externa em relação a Cuba, incluindo medidas para bloquear o envio de petróleo e ameaças de sanções a países que mantenham relações energéticas com Havana.
A situação se agravou após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado estratégico de Cuba e principal fornecedor de petróleo ao país, o que interrompeu fluxos essenciais de energia.
Diante desse cenário, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, admitiu publicamente a existência de negociações com os Estados Unidos, afirmando que busca “soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais”, embora tenha reiterado a defesa da soberania nacional.
Apagões, protestos e desgaste interno
A combinação de crise econômica, falta de combustível e colapso energético tem provocado crescente insatisfação popular. Nos últimos anos, apagões recorrentes passaram a fazer parte do cotidiano da população, afetando serviços básicos e a economia.
Recentemente, protestos foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo atos contra o alto custo de vida e a instabilidade no fornecimento de energia — episódios considerados incomuns no contexto político cubano.
Moradores relatam uma adaptação forçada à crise. Em Havana, uma residente afirmou que o apagão recente “não a surpreendeu”, acrescentando: “Estamos nos acostumando a viver assim.”
Escalada retórica e incertezas
As declarações de Trump representam uma mudança significativa no discurso oficial dos Estados Unidos, ao sugerirem abertamente a possibilidade de intervenção ou controle sobre Cuba — algo historicamente evitado desde a Guerra Fria.
Apesar da retórica, não há clareza sobre quais seriam os mecanismos ou bases legais para uma eventual ação nesse sentido. Ao mesmo tempo, a crise interna cubana e a pressão externa ampliam o cenário de incerteza sobre os próximos desdobramentos na região.
(Com BBC News Brasil)



