Consumo equilibrado da bebida está associado à proteção cognitiva e à redução do risco de doenças neurodegenerativas
O hábito de beber café moderadamente tem sido apontado por pesquisas científicas como uma estratégia alimentar potencialmente benéfica para a saúde do cérebro a longo prazo. Consumida diariamente por milhões de pessoas no Brasil e no mundo, a bebida vai além do estímulo imediato à atenção e pode desempenhar papel relevante na preservação das funções cognitivas com o avanço da idade.
Estudos observacionais indicam que a ingestão regular e equilibrada de café está associada à redução do risco de declínio cognitivo, demência e doença de Alzheimer. Embora os mecanismos ainda sejam investigados, evidências sugerem que compostos bioativos presentes na bebida contribuem para efeitos neuroprotetores.
Compostos bioativos e ação antioxidante
O café é rico em cafeína, polifenóis e outras substâncias antioxidantes que atuam no combate ao estresse oxidativo — processo relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. A cafeína, por sua vez, age como estimulante do sistema nervoso central, bloqueando receptores de adenosina e promovendo maior estado de alerta, concentração e desempenho cognitivo.
Além disso, estudos experimentais apontam que determinados compostos do café podem modular processos inflamatórios e contribuir para a manutenção da integridade neuronal, fatores considerados essenciais na prevenção do declínio cognitivo.
Moderação é a chave
Especialistas ressaltam que os possíveis benefícios estão associados ao consumo moderado, geralmente definido entre três e quatro xícaras por dia para adultos saudáveis. Quantidades excessivas podem provocar efeitos adversos, como insônia, ansiedade, taquicardia e alterações na pressão arterial.
Também é importante considerar fatores individuais, como sensibilidade à cafeína, presença de doenças cardiovasculares, gestação e uso de determinados medicamentos. Nesses casos, a orientação médica é recomendada.
Café como parte de um estilo de vida saudável
Embora promissor, o consumo de café não deve ser encarado como solução isolada para a proteção cerebral. A literatura científica destaca que a saúde cognitiva depende de um conjunto de fatores, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e estímulação intelectual contínua.
Nesse contexto, o café pode integrar uma estratégia dietética prazerosa e culturalmente enraizada, especialmente em países como o Brasil, um dos maiores produtores e consumidores mundiais da bebida.
Evidências ainda em evolução
Grande parte das pesquisas disponíveis é baseada em estudos observacionais, o que significa que apontam associações, mas não estabelecem relação direta de causa e efeito. Ensaios clínicos adicionais são necessários para aprofundar a compreensão sobre a quantidade ideal, o perfil de indivíduos mais beneficiados e os mecanismos envolvidos.
Ainda assim, o conjunto de evidências atuais sugere que o café consumido com moderação pode contribuir para a preservação da função cerebral e para um envelhecimento mais saudável.



