Frequentemente consumida em festividades, a combinação de destilados com estimulantes mascara a embriaguez e sobrecarrega o sistema cardíaco
O consumo de coquetéis que unem bebidas alcoólicas, como a vodca, a energéticos ricos em cafeína tornou-se um hábito onipresente em grandes eventos públicos e blocos de carnaval. No entanto, o que muitos foliões ignoram é que essa simbiose química gera um alerta rigoroso na comunidade médica. A interação entre essas substâncias não apenas potencializa o risco de ingestão desmedida, mas também impõe desafios severos ao funcionamento do coração.
O conflito de estímulos no sistema nervoso
A periculosidade da mistura reside na natureza antagônica de seus componentes. Enquanto o álcool atua como um depressor do sistema nervoso central, reduzindo a acuidade sensorial e a coordenação, o energético atua na via oposta, estimulando o estado de vigília e elevando a pressão arterial. O resultado não é a neutralização dos efeitos, mas sim um mascaramento perigoso.
“O energético pode mascarar os sinais clássicos da embriaguez, como sonolência e cansaço, levando a pessoa a beber mais do que o habitual sem perceber os próprios limites”, alertam os especialistas em saúde.
Sobrecarga cardíaca e riscos de arritmia
O cenário se agrava quando o consumo ocorre sob altas temperaturas ou durante esforço físico prolongado. A combinação de desidratação — acelerada pelo álcool — e a liberação de adrenalina provocada pelos estimulantes cria um ambiente propício para episódios de taquicardia e arritmias. Mesmo indivíduos sem histórico de patologias cardíacas podem apresentar palpitações e tonturas, enquanto aqueles com condições preexistentes ficam expostos a eventos cardiovasculares agudos.
Padrões de consumo e prevenção
Dados científicos corroboram que a percepção de energia conferida pelos estimulantes induz o indivíduo a prolongar o consumo alcoólico, elevando as estatísticas de intoxicação e acidentes. Para mitigar esses danos, a orientação médica é enfática na manutenção da hidratação com água e na imposição de limites rígidos ao consumo.
Segundo as recomendações para períodos de festas, é fundamental:
- Abster-se da mistura direta de álcool com energéticos;
- Intercalar a ingestão de álcool com água mineral;
- Evitar o esforço físico exaustivo sob efeito de estimulantes;
- Observar com rigor qualquer sinal de mal-estar súbito.



