Dados do IBGE mostram retração mensal mais intensa desde julho de 2024, apesar de leve avanço na comparação anual
Queda no fim do ano mantém tendência negativa
A produção industrial brasileira registrou recuo de 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, aprofundando o movimento de retração iniciado em setembro. No acumulado desses quatro meses, a perda chega a 1,9%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado de dezembro representa a queda mensal mais expressiva desde julho de 2024, quando a produção havia diminuído 1,5%. Com isso, a média móvel trimestral encerrou o ano em terreno negativo, com variação de -0,5%, indicando perda de fôlego da atividade industrial no curto prazo.
Comparação anual interrompe sequência de perdas
Na comparação com dezembro de 2024, a indústria apresentou crescimento de 0,4%, interrompendo dois meses consecutivos de resultados negativos nesse tipo de confronto. Em novembro, o setor havia recuado 1,4%, enquanto em outubro a queda foi de 0,5%, de acordo com o levantamento do IBGE.
Apesar da melhora pontual, o desempenho anual não foi suficiente para reverter o quadro de desaceleração observado ao longo do segundo semestre.
Balanço de 2025 ainda é positivo
No acumulado de 2025, a produção industrial avançou 0,6%, marcando o terceiro ano consecutivo de crescimento, após altas de 3,1% em 2024 e de 0,1% em 2023. Com o resultado de dezembro, o nível de produção ficou 0,6% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020.
Ainda assim, o setor permanece distante do melhor desempenho da série histórica: a produção segue 16,3% abaixo do pico alcançado em maio de 2011, evidenciando dificuldades estruturais para uma recuperação mais robusta.
Setores com maior impacto no resultado
O crescimento de 0,6% em 2025 foi sustentado por resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas. Dos 789 produtos investigados pela pesquisa, 49,6% apresentaram expansão no período. As principais contribuições vieram das indústrias extrativas, com alta de 4,9%, e do segmento de produtos alimentícios, que cresceu 1,5%.
Por outro lado, entre as atividades que puxaram o desempenho para baixo, o destaque negativo foi o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,3%. Também registraram quedas expressivas os segmentos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%).
As duas primeiras atividades acumularam dois meses seguidos de retração, com perdas de 10,4% e 7,4%, respectivamente. Já a metalurgia eliminou o crescimento de 3,5% observado entre agosto e novembro de 2025, segundo o IBGE.



