Nome do deputado passa a ser visto como peça-chave para fortalecer palanque presidencial no segundo maior colégio eleitoral do país
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, voltou a considerar nos últimos dias a possibilidade de lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na disputa pelo Governo de Minas Gerais. A articulação envolve conversas com dirigentes do União Brasil e do PP, partidos que integram uma federação e ocupam posição estratégica no centrão.
Interlocutores ouvidos confirmaram que o nome de Nikolas foi apresentado recentemente a lideranças dessas legendas, que demonstraram entusiasmo com a eventual candidatura. Na avaliação desses dirigentes, o deputado desponta hoje como favorito em uma corrida pelo Palácio Tiradentes.
Impasse passa por Zema e risco de palanque dividido
O avanço da estratégia, no entanto, depende diretamente do posicionamento do atual governador Romeu Zema (Novo). Aliados de Flávio afirmam que Zema é visto como potencial candidato a vice-presidente na chapa presidencial do PL, o que alteraria o xadrez eleitoral mineiro.
Caso o governador mantenha seus planos nacionais, Minas Gerais teria como candidato natural à sucessão o vice-governador Matheus Simões (PSD), que deve assumir o cargo em março. O cenário preocupa o PL, já que Simões tem reiterado apoio à candidatura presidencial de Zema, o que poderia resultar em um palanque estadual trabalhando por outro projeto ao Planalto.
“O presidente [do partido, Gilberto] Kassab foi muito claro. Em Minas Gerais, o palanque é do governador Romeu Zema, é assim que nós caminharemos”, declarou Simões em outubro do ano passado.
Resistência inicial de Nikolas e pressão interna
Pessoas próximas a Nikolas Ferreira relatam que o deputado, em outras ocasiões, demonstrou resistência à ideia de disputar um cargo majoritário em 2026. No ano passado, ao ser sondado sobre uma eventual candidatura ao governo estadual, teria sinalizado negativamente.
O cálculo político, porém, mudou. Dirigentes do PL avaliam que a presença de um nome forte no estado é indispensável para impulsionar a candidatura presidencial do partido. Minas Gerais é considerada decisiva em disputas nacionais: os últimos presidentes eleitos venceram também no estado, que reúne o segundo maior eleitorado do país e não apresenta alinhamento ideológico consolidado.
Nesse contexto, aliados de Flávio planejam uma nova rodada de conversas para tentar convencer Nikolas, visto como um político com alta capacidade de mobilização tanto nas redes sociais quanto nas ruas.
Capital político e força digital
Nikolas Ferreira foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com 1,47 milhão de votos. No PL, a expectativa é de que ele ultrapasse a marca de 2 milhões em 2026. A legenda atribui esse desempenho à forte presença digital do parlamentar, que se consolidou como um dos principais cabos eleitorais do partido nas eleições municipais de 2024.
O engajamento recente em manifestações políticas também reforçou essa percepção. Dirigentes do partido avaliaram positivamente a mobilização do último domingo (25), em Brasília, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Procurado, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou não ter conhecimento das tratativas, mas elogiou o deputado. “Não soube. Mas é um bom nome. Se ele tiver interesse, vamos respaldar, mas até agora não manifestou.”
Alternativas em construção
Caso Nikolas não aceite a candidatura, o PL terá de buscar outro nome competitivo em Minas Gerais. Entre os cotados está o senador Cleitinho (Republicanos), que mantém perfil conservador, embora tenha protagonizado divergências públicas com Jair Bolsonaro e membros de sua família.
No campo governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a trabalhar com a hipótese de lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro. Diante da resistência do ex-presidente do Senado, o Planalto passou a desenhar alternativas.
Além de Cleitinho, circulam como possíveis nomes o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
Visitas autorizadas a Bolsonaro na Papuda
Em paralelo às articulações eleitorais, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para visitas de parlamentares do PL.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, autorizou os encontros, que ocorrerão de forma individual nos dias 18 e 21 de fevereiro. Entre os autorizados estão Nikolas Ferreira, o deputado Sanderson (RS) e os senadores Carlos Portinho (RJ) e Bruno Bonetti (RJ).



