Estudo europeu identifica biomarcadores em estágios iniciais da doença, permitindo triagens acessíveis e novas possibilidades de intervenção precoce
Uma pesquisa conjunta entre a Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, e o Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, revelou um avanço promissor no combate à doença de Parkinson. O estudo, publicado na revista científica npj Parkinson’s Disease, identificou padrões de biomarcadores capazes de sinalizar a patologia até duas décadas antes do surgimento de tremores ou rigidez muscular.
A descoberta foca em mecanismos biológicos que são ativados apenas nas fases iniciais da doença, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta viável por meio de simples exames de sangue.
A biologia da antecipação
O grande diferencial deste estudo é a identificação de processos genéticos e moleculares que ocorrem muito antes da degradação severa dos neurônios produtores de dopamina.
- Padrões Específicos: Os pesquisadores detectaram sinais que existem em pacientes em estágio inicial, mas que desaparecem em fases avançadas da doença.
- Acessibilidade: Por se basear em amostras de sangue, o método é considerado de baixo custo e alta aplicabilidade para triagens em larga escala na saúde pública.
- Janela de Oportunidade: Segundo a pesquisadora Annikka Polster, focar nesses padrões iniciais permite que a medicina busque formas de interromper a progressão do Parkinson antes que danos neurológicos irreversíveis ocorram.
“Os resultados refletem fases iniciais da biologia da doença e abrem caminho para exames de triagem mais amplos”, afirma a pesquisadora em declaração à Fox News.
Sinais de alerta: o corpo avisa antes dos tremores
Embora o exame de sangue prometa precisão futura, o corpo humano emite sinais sutis que frequentemente são ignorados ou confundidos com outras condições. Especialistas destacam que o Parkinson não é apenas uma doença motora.
Indicadores não-motores precoces:
- Perda de Olfato: Frequentemente um dos primeiros sentidos a serem afetados.
- Constipação Intestinal: Alterações no sistema digestivo podem preceder sintomas neurológicos em anos.
- Distúrbios do Sono: Dificuldade para dormir, movimentos bruscos durante os sonhos ou insônia frequente.
- Saúde Mental: Crises de ansiedade inexplicáveis devido a alterações químicas cerebrais.
Sinais físicos sutis:
- Mudanças na Escrita: Caligrafia que se torna subitamente menor ou mais apertada (micrografia).
- Alteração na Voz: Tom de fala mais baixo, rouco ou arrastado.
- Tremores Internos: Sensação de tremor na região do tórax ou abdômen, antes de se manifestar nas mãos.
Desafios e próximos passos
Apesar do otimismo, a comunidade científica mantém a cautela. A atividade genética é apenas uma parte do quebra-cabeça, e fatores externos — como o uso de certos medicamentos — podem mascarar os biomarcadores. O próximo passo da pesquisa é observar esses mecanismos em tempo real para validar medicamentos que possam efetivamente travar a doença ainda no “berço”.



