Apesar da queda de 2,3% no volume consumido, faturamento da indústria salta 25% impulsionado pelo valor nas gôndolas; estoques baixos adiam queda de preços
O brasileiro está bebendo menos café, mas pagando muito mais por ele. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) nesta quinta-feira (29/1) revelam que o consumo interno recuou 2,31% no período entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O volume total passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas, refletindo o impacto direto da escalada nos preços de varejo.
Apesar da redução, o Brasil mantém a resiliência no setor, sustentando o posto de segundo maior consumidor global e liderando no consumo per capita, com uma média impressionante de 1,4 mil xícaras por brasileiro ao ano.
A escalada dos preços e o faturamento recorde
O descasamento entre oferta e demanda, agravado por problemas climáticos desde 2021, transformou o café em um item de custo elevado no orçamento familiar.
- Matéria-prima: Em cinco anos, o grão conilon subiu 201% e o arábica 212%.
- Varejo: Para o consumidor final, o aumento acumulado no período foi de 116%.
- Impacto Financeiro: Ironicamente, a queda no consumo não prejudicou as empresas. O faturamento do setor cresceu 25,6% em 2025, atingindo a marca de R$ 46,24 bilhões.
“Nós tivemos essa escalada de preços da matéria-prima desde 2021 e o consumo brasileiro seguiu bem em todos esses anos, demonstrando o quão resiliente é o café para o brasileiro. O brasileiro não abre mão do café”, avalia Pavel Cardoso, presidente da Abic.
Expectativas para 2026: estabilidade, não queda
Para o consumidor que espera um alívio imediato no bolso, as notícias pedem cautela. A Abic prevê que 2026 será um ano de menor volatilidade, mas sem reduções substanciais nos preços.
- Estoques Críticos: Os estoques globais estão em níveis historicamente baixos, o que impede uma queda rápida.
- Prazo para Alívio: Especialistas acreditam que serão necessárias pelo menos duas safras fartas para que o preço nas prateleiras retorne a níveis mais confortáveis.
- Promoções: A aposta imediata da indústria para recuperar o volume de vendas será intensificar ofertas e promoções pontuais.
Desafios internacionais: tarifas e acordos
O setor também monitora o cenário externo, equilibrando otimismo e preocupação com as barreiras comerciais:
- O Impasse do Café Solúvel: Embora os EUA tenham suspendido a tarifa de 40% sobre o café em grão, o café solúvel brasileiro continua taxado, um ponto que a indústria tenta reverter nos próximos meses.
- Mercosul e União Europeia: A assinatura do acordo comercial traz perspectivas otimistas para o Brasil, que hoje é responsável por 40% da produção mundial de café, abrindo novas fronteiras para a exportação industrializada.



