O IPCA-15 registra desaceleração em relação a dezembro, mas o acumulado de 12 meses atinge 4,50%, encostando no teto da meta estabelecida pelo governo
A inflação brasileira começou 2026 com uma leve “folga”, influenciada diretamente pela redução nos custos de habitação e transportes. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (27/01), o IPCA-15 de janeiro fechou em 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados no mês anterior.
Embora o número mensal seja positivo para o consumidor, o cenário de longo prazo exige atenção: o índice acumulado em 12 meses chegou a 4,50%, exatamente o limite máximo de tolerância da meta de inflação (3% com margem de 1,5 p.p.).
O fator “Bandeira Verde”: a energia como deflator
O grande protagonista dessa desaceleração foi o grupo Habitação, que registrou queda de -0,26%. O motivo principal foi a decisão da Aneel de alterar a bandeira tarifária:
- Dezembro/2025: Bandeira Amarela (taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh).
- Janeiro/2026: Bandeira Verde (sem custo adicional).
Essa mudança resultou em um recuo de 2,91% na conta de luz, gerando um impacto negativo de -1,2 ponto percentual no índice geral. Ou seja, sem o alívio na energia, a inflação teria vindo significativamente mais alta.
Raio-X dos preços: o que subiu e o que desceu
Enquanto habitação e transportes deram uma trégua, os serviços de saúde e comunicação continuam pressionando o orçamento das famílias.
| Grupo de Produto/Serviço | Variação em Janeiro (%) |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,81% |
| Comunicação | +0,73% |
| Artigos de residência | +0,43% |
| Alimentação e bebidas | +0,31% |
| Vestuário | +0,28% |
| Despesas pessoais | +0,28% |
| Educação | +0,05% |
| Transportes | -0,13% |
| Habitação | -0,26% |
Entendendo o contexto: IPCA-15 e o salário mínimo
O IPCA-15 funciona como um “termômetro antecipado” da inflação oficial, cobrindo 11 regiões metropolitanas (incluindo Goiânia). Ele reflete o custo de vida para famílias que ganham entre 1 e 40 salários mínimos.
Nota Econômica: Com o salário mínimo atualmente em R$ 1.621, a variação nos grupos de “Saúde” e “Alimentação” — que subiram acima da média mensal — impacta de forma mais severa as famílias na base da pirâmide, apesar da ajuda vinda da conta de luz.
O que vem por aí?
O mercado financeiro agora aguarda o IPCA cheio (o índice consolidado do mês), que será divulgado no dia 10 de fevereiro. Ele trará dados de mais cinco localidades (como Aracaju e São Luís) e confirmará se a tendência de desaceleração se mantém ou se os reajustes de início de ano, comuns em educação e mensalidades, ganharão tração.



