Presidente envia assessor de imigração ao estado enquanto versões oficiais são contestadas por vídeos e familiares da vítima
Casa Branca avalia conduta de agentes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no domingo (25), em entrevista ao The Wall Street Journal, que seu governo está reavaliando a operação do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) que resultou na morte de um homem em Minnesota durante o fim de semana.
“Estamos analisando, estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão”, afirmou o republicano ao jornal, evitando opinar diretamente sobre a atuação do agente envolvido. “Não gosto de ataques a tiros. Não gosto mesmo”, acrescentou. “Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma potente, totalmente carregada e com dois carregadores cheios de balas. Isso também não pega bem.”
Envio de representante federal ao estado
Nesta segunda-feira (26), Trump anunciou que Tom Homan — responsável pela coordenação das operações de imigração e apelidado de “czar da fronteira” — será deslocado para Minnesota.
“Ele não tem experiência naquela região, mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá. Tom é rigoroso, mas justo, e se reportará diretamente a mim”, escreveu o presidente na rede Truth Social.
Versões divergentes sobre a morte
A vítima foi identificada como Alex Pretti, de 37 anos, morto a tiros durante uma abordagem de agentes federais em uma operação contra imigrantes. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o caso teve início quando um homem “abordou agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA com uma pistola semiautomática de 9 mm”, o que teria levado os agentes a tentar desarmá-lo.
Entretanto, gravações divulgadas nas redes sociais e verificadas pelo The New York Times apresentam uma narrativa diferente. As imagens indicam que Pretti segurava um celular momentos antes de ser imobilizado e baleado. A arma que possuía, para a qual tinha licença legal, só teria sido localizada quando ele já estava no chão. De acordo com os vídeos, ele foi atingido após ser desarmado.
Família contesta governo
Os pais de Pretti, Michael e Susan, criticaram duramente a versão oficial.
“As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas”, declararam em nota. “O último pensamento e ato [de Alex] foi proteger uma mulher”, afirmaram, referindo-se a uma pessoa que, segundo eles, havia sido empurrada por agentes momentos antes.
“Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de derrubar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta”, acrescentaram.
Clima de tensão e ameaça de uso da Lei de Insurreição
Minnesota tem registrado protestos frequentes desde o início de janeiro, quando outra morte envolvendo agente do ICE, a de Renee Good, 37, ampliou a mobilização popular.
Diante das manifestações, Trump voltou a mencionar a possibilidade de recorrer à Lei de Insurreição, instrumento legal criado em 1807 que autoriza o presidente a mobilizar as Forças Armadas quando distúrbios civis superam a capacidade das autoridades locais. A norma foi aplicada durante a Guerra Civil e, na década de 1960, para garantir o fim da segregação racial. O uso mais recente ocorreu em 1992, durante os protestos em Los Angeles após um caso de violência policial.



