Segundo caso fatal em poucas semanas durante ações federais contra imigrantes provoca reação de familiares, autoridades locais e oposição ao governo Trump
Minneapolis volta a ser palco de confrontos
A morte de um segundo civil durante operações federais de imigração em Minneapolis elevou o nível de tensão política nos Estados Unidos e desencadeou novos protestos na cidade. O episódio, ocorrido neste sábado (25), alimentou críticas ao governo do presidente Donald Trump, acusado por opositores de adotar medidas excessivas e de conduzir investigações com pouca transparência.
A vítima foi Alex Pretti, enfermeiro de UTI, de 37 anos, cidadão americano. Seus pais afirmam que o filho foi morto sem justificativa por agentes federais e acusam a administração Trump de divulgar informações falsas sobre o ocorrido.
O caso se soma à morte de Renée Good, também de 37 anos, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) em 7 de janeiro, na mesma cidade. À época, o governo federal declarou que o agente agiu em legítima defesa. Outro episódio que gerou repercussão foi a detenção de uma criança de cinco anos por agentes de imigração.
Versão oficial aponta legítima defesa
O Departamento de Segurança Interna (DHS), em Washington, informou que os disparos foram efetuados como resposta a uma ameaça imediata. Segundo a pasta, um agente da Patrulha da Fronteira abriu fogo de forma “defensiva” após Pretti se aproximar com uma pistola e resistir de maneira violenta à tentativa de desarmamento. O agente, de acordo com o relato oficial, temeu pela própria vida e pela segurança de colegas.
O departamento divulgou ainda a imagem do que seria uma pistola semiautomática de 9 mm associada à vítima. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Pretti “estava lá para promover violência”. Já o assessor da Casa Branca Stephen Miller classificou o enfermeiro como “assassino” e “terrorista doméstico”, apesar de não haver registro de antecedentes criminais.
No momento da ocorrência, os agentes buscavam prender um estrangeiro em situação irregular, procurado por agressão. Trump tem defendido as operações e acusado críticos de estimular resistência às ações federais. Minneapolis integra o grupo de chamadas “cidades santuário”, que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração.
Imagens levantam questionamentos
Vídeos gravados por testemunhas circulam nas redes sociais e passaram a ser analisados por manifestantes e autoridades locais. Em uma das gravações, homens mascarados com equipamentos antimotim imobilizam um indivíduo no chão, identificado como Pretti, cercado por vários agentes. Em seguida, são ouvidos diversos disparos.
Outro registro sugere que a arma atribuída a Pretti já estaria sob controle policial antes dos tiros, o que levantou dúvidas sobre a alegação de risco iminente aos agentes. A família sustenta que ele não representava ameaça e tentava defender uma mulher que teria sido empurrada ao solo e atingida por spray de pimenta.
Em nota, os parentes classificaram as declarações do governo como “mentiras repugnantes” e pediram que a verdade venha à tona. “Ele era um bom homem”, diz o comunicado.
Autoridades locais pedem investigação independente
A morte de Pretti levou dezenas de pessoas a participarem de vigílias com velas em frente à residência da vítima, em meio a manifestações marcadas por indignação e luto. A crise também ampliou o embate entre autoridades estaduais democratas e a Casa Branca.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, solicitou apoio da Guarda Nacional de Minnesota, alegando impacto na segurança pública devido às operações de imigração. O governador Tim Walz afirmou que o estado conduzirá uma investigação própria, argumentando que não há confiança suficiente na condução federal do caso.
“O sistema de Justiça de Minnesota terá a palavra final”, declarou Walz. Ele classificou a atuação federal no estado como uma “campanha organizada de brutalidade”, defendendo que a prioridade deve ser garantir responsabilidade e transparência.
O novo episódio aprofunda a polarização em torno das políticas migratórias do governo Trump e deve manter Minneapolis no centro do debate nacional sobre uso da força, direitos civis e autonomia de governos locais frente às ações federais.



