Especialistas apontam que o desempenho insuficiente em avaliação nacional pode comprometer a segurança do paciente e a credibilidade do sistema de saúde
A divulgação dos resultados mais recentes do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed) gerou uma onda de preocupação entre entidades de classe, acadêmicos e gestores de saúde. O exame, que funciona como um termômetro da qualidade do ensino médico no país, expôs deficiências estruturais na formação de novos profissionais. Para analistas do setor, o cenário não apenas acende um alerta sobre a necessidade de maior rigor regulatório, mas também ameaça um dos pilares da medicina: a confiança da população nos profissionais que chegam ao mercado.
O diagnóstico das deficiências acadêmicas
Os dados revelam que uma parcela significativa dos formandos apresenta dificuldades em competências básicas de diagnóstico e conduta clínica. Especialistas atribuem esses resultados à expansão desenfreada de cursos de medicina nos últimos anos, muitas vezes sem a infraestrutura necessária, como hospitais-escola e corpo docente qualificado.
A discrepância entre o volume de vagas abertas e a qualidade do suporte pedagógico tem criado um abismo formativo. “A formação médica exige uma vivência prática que não pode ser substituída por simuladores ou aulas teóricas em excesso”, afirmam conselheiros de medicina. A preocupação é que a interiorização do ensino, embora necessária, tenha ocorrido sacrificando o rigor técnico em diversas regiões do país.
O impacto na confiança do paciente
Além das questões técnicas, o Enamed levanta um debate sociológico sobre a credibilidade da profissão. A medicina sempre ocupou um lugar de prestígio e segurança no imaginário popular; contudo, a exposição pública de falhas na formação pode gerar uma percepção de insegurança.
Quando a população percebe que o sistema de avaliação nacional aponta vulnerabilidades no preparo dos médicos, a relação de confiança — fundamental para a adesão a tratamentos e eficácia clínica — entra em desgaste. O risco, segundo especialistas, é o aumento da judicialização da saúde e a busca por alternativas sem base científica, motivadas pela dúvida quanto à competência dos novos profissionais.
Propostas de rigor e reformulação
Diante dos resultados, entidades médicas defendem a implementação de avaliações progressivas e critérios mais rígidos para o funcionamento de novas faculdades. A tabela abaixo resume as principais áreas de preocupação identificadas no último ciclo avaliativo:
| Área de Conhecimento | Nível de Desempenho Crítico | Impacto Direto |
| Clínica Médica | 42% de acerto médio | Diagnósticos imprecisos em doenças prevalentes |
| Ética e Bioética | 35% de falhas graves | Desgaste na relação médico-paciente |
| Urgência e Emergência | 50% de insuficiência | Aumento da mortalidade em primeiros atendimentos |
A solução, conforme apontado por gestores, passa por um pacto nacional pela qualidade do ensino. Isso inclui não apenas fechar as lacunas apontadas pelo Enamed, mas assegurar que o diploma médico continue sendo uma garantia de segurança e excelência técnica para todo cidadão brasileiro.



