Bombardeios com drones e mísseis atingem Kiev e regiões próximas à fronteira russa; rodada inicial de diálogos mediada pelos EUA é considerada “construtiva”, mas Donbass segue como principal impasse
A Ucrânia enfrentou, na madrugada deste sábado (24), uma das ofensivas aéreas russas mais intensas das últimas semanas, segundo o presidente Volodimir Zelenski. A escalada ocorreu paralelamente ao encerramento da primeira rodada de negociações trilaterais de paz, realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com mediação dos Estados Unidos.
De acordo com o líder ucraniano, Moscou lançou um ataque de grande escala durante a noite, empregando centenas de drones e dezenas de mísseis de diferentes tipos. Em publicação nas redes sociais, Zelenski afirmou que as investidas atingiram áreas civis e estruturas estratégicas, especialmente do setor energético, reforçando a necessidade de acelerar o envio de sistemas de defesa aérea ao país.
Além da capital Kiev e sua região metropolitana, também foram registrados impactos nas áreas de Kharkiv, Sumy e Chernihiv, localizadas próximas à fronteira com a Rússia.
Danos e vítimas
O governo ucraniano confirmou ao menos uma morte e dezenas de feridos, além de prejuízos significativos à infraestrutura de fornecimento de energia. Autoridades locais já haviam relatado explosões e destruição ao longo da madrugada.
Informações divulgadas pela Força Aérea da Ucrânia e por veículos da imprensa local indicaram que Kiev foi alvo de ataques sucessivos pouco depois da meia-noite. Mísseis e drones teriam atingido diferentes distritos da cidade, deixando vítimas e provocando danos materiais.
Em Kharkiv, no leste do país, o prefeito Ihor Terekhov relatou ao menos 19 pessoas feridas. Hospitais e prédios residenciais foram atingidos, e equipes de resgate trabalharam para retirar moradores presos sob escombros. O governador regional, Oleh Syniehubov, informou que entre os feridos estão uma mulher grávida e uma criança.
Negociações em Abu Dhabi
Enquanto os confrontos se intensificavam, a primeira etapa das negociações entre Rússia e Ucrânia foi concluída neste sábado, segundo agências de notícias russas. As conversas, realizadas a portas fechadas e com intermediação americana, tiveram duração de cerca de três horas.
Fontes ouvidas pela imprensa estatal da Rússia indicaram que o diálogo não terminou sem avanços, embora detalhes não tenham sido divulgados. Há expectativa de que uma nova rodada ocorra já na próxima semana, novamente em Abu Dhabi.
Zelenski classificou o encontro como “construtivo” e afirmou que representantes militares dos dois países já identificaram uma lista de temas a serem aprofundados em futuras reuniões. Integrantes da delegação ucraniana também adotaram tom semelhante, descrevendo o diálogo como “positivo”.
De acordo com relatos atribuídos a fontes russas, foram examinados documentos relacionados a território, garantias de segurança e outros pontos centrais de uma possível solução negociada para o conflito.
Donbass como entrave central
Apesar do clima moderadamente otimista, a situação na região de Donbass continua sendo o principal obstáculo nas tratativas. Autoridades de ambos os lados e mediadores reconheceram que a eventual retirada das forças ucranianas da área é uma das questões mais sensíveis.
Moscou considera essa condição essencial, ao mesmo tempo em que rejeita de forma categórica a presença de tropas ocidentais em seu entorno. Kiev, por sua vez, insiste em garantias de segurança robustas, que envolvam Estados Unidos e aliados europeus, para se proteger de eventuais novas ofensivas russas.
O início das negociações em Abu Dhabi ocorreu após uma série de contatos diplomáticos de alto nível. O presidente russo Vladimir Putin autorizou o processo depois de se reunir com enviados da Casa Branca, enquanto Zelenski deu sinal verde após encontro com o presidente americano Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
O avanço das conversas ocorre, portanto, sob o contraste de um cenário militar ainda volátil, em que os ataques aéreos seguem afetando diretamente a população civil e a infraestrutura estratégica da Ucrânia.



