Deputado do PL-MG lidera marcha rumo a Brasília em protesto contra condenações do 8 de Janeiro
A BR-040 tornou-se, nesta semana, o cenário de uma manifestação política marcada pelo contraste entre o engajamento digital e a fragilidade estrutural. Sob a liderança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a caminhada intitulada “Acorda Brasil” partiu de Paracatu (MG) na última segunda-feira (19) com destino à capital federal. O ato, que visa protestar contra as sentenças impostas aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado, percorreu trechos entre Cristalina e Luziânia nesta sexta-feira (23), evidenciando desafios logísticos que colocam em xeque a integridade dos participantes.
Logística improvisada e desafios no trajeto
O percurso total de 240 km, planejado para ser concluído no domingo (25), foi traçado sem uma estratégia organizacional prévia. O próprio deputado admitiu que a jornada não contou com o planejamento detalhado comum a eventos dessa magnitude, nem com o aviso formal ao seu partido. Segundo Ferreira, a decisão pela marcha ocorreu para evitar os desgastes de acampamentos fixos, como os ocorridos em 2022.
O parlamentar explicou que “não queria ficar na porta de nada, permanecer, fazer barraca, acampamento” pois acreditava que “isso poderia dar uma abertura para quem quisesse atrapalhar o movimento”. Sobre a organização, ele foi enfático ao declarar: “A logística foi feita na hora. A gente saiu de Paracatu e a gente foi colocando no Google Maps para poder ver quantos quilômetros daria até chegar em Brasília.” Essa falta de cronograma resultou em incertezas alimentares e paradas tardias para descanso, deixando muitos apoiadores exaustos ao longo do acostamento.
Riscos na rodovia e advertências das autoridades
A segurança dos manifestantes, entre os quais figuravam idosos e crianças, gerou alertas das forças de segurança. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) classificou o movimento como detentor de “riscos de segurança”, uma vez que a separação entre o fluxo de veículos pesados da rodovia e os pedestres resumia-se a cordas seguradas por voluntários. Empurrões e a proximidade perigosa com a pista foram relatos constantes durante o deslocamento.
Críticas políticas também acompanharam o trajeto. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestou-se publicamente, afirmando que a iniciativa “é crime e está colocando a vida de pessoas em risco”. Enquanto isso, no centro do grupo, Nikolas Ferreira mantinha um cinturão de proteção formado por policiais legislativos e assessores, que garantiam sua hidratação com isotônicos e cuidados musculares, como o uso de gelo e pomadas analgésicas durante as pausas.
Mobilização política e narrativas de protesto
Apesar das adversidades físicas, o clima entre os manifestantes era de resiliência e foco na pauta ideológica. Apoiadores como Valisnéria Cristina, que se deslocou de São Paulo para o ato, afirmaram: “Quero um país livre, um país honesto”. Outra participante, que preferiu o anonimato e caminhava com o filho pequeno, reforçou que “o povo tá sendo impedido de expressar a sua liberdade”.
O movimento serviu de palanque para diversos políticos da ala conservadora. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) destacou o crescimento do grupo, pontuando que “quem tá desde o início sabe como que começou, tinham 20 pessoas, 30 pessoas no máximo.” Já o deputado André Fernandes (PL-CE) aproveitou para questionar o Judiciário, afirmando que “não é normal que os mesmos juízes que condenaram pessoas inocentes do 8 de Janeiro estejam acobertando e defendendo os criminosos do caso Master do INSS”.
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) buscou desvincular o ato de qualquer intenção violenta, alegando que a marcha “não é para confrontar ninguém” e sim para “mostrar que o brasileiro tá indignado”. O evento também atraiu vereadores e pré-candidatos que veem na proximidade com Ferreira uma oportunidade de capitalizar apoio para o pleito municipal deste ano.
O contraste entre a estrutura parlamentar e o esforço popular
Enquanto parlamentares e assessores alternavam entre a caminhada e o suporte em veículos, a base de apoiadores enfrentava o asfalto sob o sol, motivada pela produção de conteúdo para redes sociais. Fotos e vídeos eram o principal combustível para manter o ritmo, com símbolos que remetiam a figuras condenadas pelo 8 de janeiro.
Igor Erick, vereador em Governador Valadares (MG), resumiu o sentimento do grupo ao afirmar que a juventude “tem a esperança de um Brasil melhor”. Entre pedidos de voto impresso e críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal, a caminhada segue em direção à Praça dos Três Poderes, onde a chegada no domingo promete testar a capacidade de contenção e a vigilância das autoridades brasilienses.
(Fonte: Folhaspress)



