Ex-primeira-dama cita caso Collor e mobiliza aliados em busca de decisão favorável no STF
Pressão sobre o Supremo
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm intensificado articulações junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter a concessão de prisão domiciliar humanitária. A estratégia concentra-se na perícia médica solicitada pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e na mobilização de interlocutores com acesso direto aos magistrados.
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, reuniu-se com Moraes e o decano Gilmar Mendes, em encontros descritos como cordiais. Durante a conversa, Michelle relatou a queda sofrida por Bolsonaro na sede da Polícia Federal, os desencontros de informação enfrentados pela família e os efeitos colaterais dos medicamentos utilizados pelo ex-presidente.
Comparação com o caso Collor
Michelle questionou Moraes sobre a possibilidade de aplicar a Bolsonaro o mesmo benefício concedido ao ex-presidente Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar humanitária após diagnóstico de Parkinson. Moraes, segundo relatos, respondeu que cada caso é avaliado individualmente e que a decisão dependerá da análise técnica da perícia.
A ex-primeira-dama também mencionou o episódio em que Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, atribuindo o ato aos efeitos dos remédios. “Bolsonaro não teria mexido no equipamento se ela estivesse em casa naquele momento”, afirmou Michelle, segundo interlocutores.
Articulação política e expectativa
A movimentação inclui parlamentares, governadores e aliados próximos. O presidente do STF, Edson Fachin, e os ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça também foram procurados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, relatou ter conversado com quatro ministros.
Um parlamentar avalia que a repercussão do caso na imprensa tem atrasado a decisão de Moraes, que estaria buscando evitar pressões políticas. A transferência de Bolsonaro para o batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha, em Brasília, foi interpretada como sinal de atenção ao estado de saúde do ex-presidente.
Riscos e repercussões
A expectativa entre aliados é que a perícia médica comprove a fragilidade clínica de Bolsonaro, o que poderia sensibilizar os ministros do STF diante do risco de responsabilização institucional em caso de agravamento.
Além disso, há quem veja nas negativas de Moraes um efeito político: “As sucessivas negativas acabam vitimizando Bolsonaro e fortalecendo a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro”, afirmou um aliado.
Readequação da agenda de Michelle
Michelle Bolsonaro, que vinha realizando viagens pelo país com o PL Mulher, adiou o primeiro encontro previsto para o Tocantins. “A medida foi necessária em razão da atual situação que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e a presidente do PL Mulher Michelle Bolsonaro estão enfrentando”, informou sua assessoria.



