Operação no povoado quilombola São Sebastião dos Pretos mobiliza mais de 500 profissionais; tecnologia de sonar é utilizada para varredura no Rio Mearim
As operações de busca pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completam 17 dias nesta terça-feira (20 de janeiro de 2026). Desaparecidos desde o início do mês em uma região de mata densa no interior do Maranhão, os menores agora contam com um esforço coordenado que inclui a Marinha do Brasil, o Exército, além de forças de segurança estaduais e voluntários.
O foco atual das equipes concentra-se na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, onde a geografia local — composta por floresta fechada e o curso do Rio Mearim — impõe desafios logísticos severos à força-tarefa.
O desaparecimento e o resgate do primo
O caso teve início na tarde de domingo, 4 de janeiro, quando os irmãos saíram para brincar acompanhados do primo, Anderson Kauã, de 8 anos. Após o alerta de desaparecimento dado pelos familiares, uma mobilização comunitária foi iniciada, mas apenas Anderson foi localizado até o momento.
O menino foi encontrado por carroceiros no dia 7 de janeiro, em uma estrada de terra a aproximadamente 4 km da comunidade, apresentando sinais de exaustão e desidratação. Em depoimento às autoridades, Anderson relatou que o grupo entrou na mata à procura de frutas, mas que ele acabou se separando dos primos menores quando estes, já extenuados, não conseguiram prosseguir.
Tecnologia subaquática e mobilização nacional
Desde o último domingo (18), a Marinha do Brasil integrou-se à operação trazendo o side scan sonar, um equipamento de alta precisão que realiza o mapeamento detalhado do fundo do rio para identificar anomalias submersas. A estrutura de busca atual conta com:
- Recursos Aéreos: Duas aeronaves e drones para monitoramento de áreas de difícil acesso.
- Equipe Terrestre: Seis cães farejadores treinados para busca e salvamento.
- Recursos Náuticos: Embarcações tipo voadeira e motos aquáticas patrulhando o Rio Mearim.
- Gestão de Dados: Uso de aplicativos de geolocalização para dividir a mata em quadrantes, garantindo que nenhum trecho fique sem varredura.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que a investigação da Polícia Civil corre em paralelo, mantendo todas as linhas de apuração abertas. Familiares e moradores estão sendo ouvidos para tentar reconstruir os últimos passos das crianças.
Desafios da região de mata
A área de busca é caracterizada pelo governo estadual como um terreno hostil, marcado por trechos de mata virgem, presença de árvores de grande porte e vegetação espinhosa. A existência de áreas alagadas e diversos afluentes do Rio Mearim dificulta o deslocamento das equipes a pé, exigindo o apoio constante de especialistas em sobrevivência na selva.
A comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, onde vivem cerca de 250 pessoas, segue em vigília. A prefeitura de Bacabal e o governo estadual reafirmaram o compromisso de manter os recursos mobilizados até que haja um desfecho para o caso.



