Sistemas de monitoramento equipados com visão computacional avançada já operam em rodovias, detectando infrações complexas e emitindo notificações em poucos segundos
A fiscalização viária brasileira ingressa em uma nova era com a implementação de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) capazes de mimetizar a análise humana em velocidades sobre-humanas. Este novo ecossistema de monitoramento utiliza câmeras de altíssima resolução integradas a algoritmos de aprendizado profundo para identificar condutas irregulares que, até então, dependiam exclusivamente da visão de agentes em campo.
Rodovias que cortam o Triângulo Mineiro passaram a contar com câmeras equipadas com sistemas de inteligência artificial (IA) capazes de identificar infrações graves em tempo real. O sistema, apelidado de “ChatGPT do trânsito” pela rapidez na análise, já está em funcionamento em trechos da BR-365, entre Uberlândia e Patrocínio.
Algoritmos de precisão: Para além do controle de velocidade
Diferente dos radares convencionais, focados primordialmente na cronometragem de deslocamento, as novas câmeras inteligentes possuem a capacidade de interpretar contextos. Através de redes neurais, o sistema consegue escanear o interior dos veículos e o comportamento dinâmico nas faixas de rolagem.
Entre as infrações agora detectáveis de forma automatizada e instantânea, destacam-se:
- Uso de dispositivos móveis: Identificação do motorista manuseando o celular ao volante.
- Ausência de cinto de segurança: Verificação tanto do condutor quanto dos passageiros.
- Manobras perigosas: Detecção de ultrapassagens pelo acostamento ou mudanças de faixa sem sinalização.
- Distância de segurança: Cálculo em tempo real da proximidade entre veículos para evitar colisões traseiras.
Celeridade e eficiência no processo administrativo
A grande inovação reside na velocidade do processamento. Uma vez captada a imagem da infração, a IA realiza a triagem, valida a placa do veículo junto ao banco de dados do Senatran e gera o auto de infração quase simultaneamente. Em situações de monitoramento em tempo real, o sistema é capaz de concluir todo o ciclo — da detecção à prontidão para notificação — em questão de segundos.
Essa agilidade visa não apenas a punição, mas a educação coercitiva, aumentando a percepção de fiscalização onipresente nas principais rodovias do país. Autoridades de trânsito afirmam que a presença da tecnologia reduz drasticamente o tempo de resposta institucional e permite que os agentes humanos sejam alocados para situações de maior complexidade, como atendimento a acidentes e operações de segurança pública.
Desafios éticos e proteção de dados
Apesar dos benefícios para a segurança viária, o uso massivo de câmeras inteligentes levanta debates sobre a privacidade dos motoristas. Especialistas em direito digital ressaltam a necessidade de transparência sobre como as imagens são armazenadas e processadas, garantindo que o monitoramento se restrinja estritamente à fiscalização de trânsito, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).


