Relatório da Oxfam apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos revela que fortuna dos super-ricos cresceu 16% em 2025, atingindo patamar recorde de 15,7 trilhões de euros
A disparidade socioeconômica global atingiu um nível sem precedentes neste início de 2026. Segundo o novo relatório da organização internacional Oxfam, intitulado Resistir ao Domínio dos Ricos: Proteger a Liberdade do Poder dos Bilionários, as 12 pessoas mais ricas do planeta possuem agora um patrimônio acumulado superior à riqueza somada dos 4 bilhões de indivíduos que compõem a metade mais pobre da humanidade.
O estudo, divulgado estrategicamente durante a abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, aponta que o patrimônio dos bilionários saltou 16% apenas no último ano. Esse ritmo de crescimento é três vezes superior à média anual registrada no último quinquênio. Com esse avanço, a riqueza acumulada por este grupo seleto chegou à marca histórica de 15,7 trilhões de euros (aproximadamente R$ 98,9 trilhões).
O fenômeno Elon Musk e a “Era dos Super-Bilionários”
Pela primeira vez na história, o mundo ultrapassou a marca de 3.000 bilionários. No topo desta pirâmide está o empresário Elon Musk, que consolidou sua posição como o primeiro indivíduo a superar a barreira de US$ 500 bilhões em fortuna pessoal.
A magnitude desses valores é evidenciada por uma projeção da Oxfam: o aumento de riqueza dos super-ricos apenas em 2025 (2,1 trilhões de euros) seria suficiente para erradicar a pobreza extrema global por 26 vezes. Se o ganho acumulado no último ano fosse redistribuído equitativamente, cada habitante da Terra receberia cerca de US$ 250, e, ainda assim, os bilionários manteriam uma reserva trilionária.
Políticas públicas e influência política
O relatório vincula a aceleração da desigualdade a decisões políticas e regulatórias. A Oxfam analisa como a concentração de capital se traduz em poder de influência sobre as regras do jogo econômico. O estudo cita nominalmente a gestão de Donald Trump nos Estados Unidos como um catalisador desse processo, mencionando que a administração adotou posturas que favoreceram diretamente o topo da pirâmide.
Entre as medidas apontadas como motoras da desigualdade estão:
- Cortes tributários: Redução de impostos para grandes corporações e altas rendas.
- Desestímulo à cooperação global: Recuo em acordos para tributação mínima internacional.
- Fomento tecnológico seletivo: Estímulos maciços ao setor de Inteligência Artificial sem mecanismos de redistribuição de ganhos de produtividade.
- Flexibilização antitruste: Menor rigor no combate a monopólios globais.
Davos 2026: entre o diálogo e a pressão por mudanças
O cenário em Davos é de contraste. Enquanto líderes como Donald Trump e delegações de peso da China e da União Europeia discutem os rumos da economia, a Oxfam pressiona por uma reforma estrutural. A organização defende a implementação de planos nacionais de redução de desigualdade, com foco especial na taxação de grandes fortunas e no fortalecimento das instituições democráticas para garantir que a política não seja capturada por interesses oligárquicos.
Enquanto a fortuna dos super-ricos cresceu 81% desde 2020, os dados sociais permanecem alarmantes: uma em cada quatro pessoas no planeta ainda enfrenta insegurança alimentar grave, evidenciando o fosso crescente entre o progresso financeiro do topo e a realidade das bases.



