Após dias de desgastes públicos e trocas de farpas entre Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, senador tenta arrefecer ânimos e consolidar palanque único da oposição
Em um movimento estratégico para conter a fragmentação de sua base aliada, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), divulgou um vídeo neste sábado (17 de janeiro de 2026) com um apelo pela coesão do campo conservador. O gesto ocorre após uma semana marcada por tensões internas, intensificadas pela transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a unidade prisional da “Papudinha” e pelas movimentações precoces para a sucessão presidencial.
O apelo pela pacificação do campo conservador
No pronunciamento, Flávio adotou um tom conciliador, enfatizando que divergências internas apenas favorecem o atual governo. O senador buscou mitigar os rumores de ruptura com nomes fortes do setor, citando nominalmente os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Jr. (Paraná).
“Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes? Não caia em pilha errada”, alertou o parlamentar.
Flávio defendeu que um palanque unificado entre ele, a ex-primeira-dama e os governadores aliados se concretizará “no momento certo”. Ele reforçou o papel estratégico dos aliados: “O Tarcísio é um aliado fundamental, a Michelle tem um papel importantíssimo”, afirmou, pedindo que os eleitores evitem ataques fratricidas nas redes sociais.
A crise da “Papudinha” e o fator Michelle Bolsonaro
O clima de desconfiança na direita atingiu o ápice com a transferência de Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da PM. O episódio revelou fissuras entre o núcleo familiar e o Palácio dos Bandeirantes.
Paralelamente, a revelação de um diálogo direto entre Michelle Bolsonaro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, pouco antes da transferência, gerou desconforto entre bolsonaristas mais radicais. Em sua defesa, Michelle declarou:
“Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde [de Bolsonaro] e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa”.
Disputas internas e a sucessão de 2026
A tensão entre os herdeiros do capital político de Bolsonaro não é recente. Desde que Flávio foi oficializado como o nome do PL para a disputa presidencial, o cenário tem sido de oscilação entre apoios formais e alfinetadas veladas.
Recentemente, Flávio reagiu com ironia às especulações sobre uma possível candidatura de Michelle, afirmando:
“Eu nunca costurei, nunca procurei, não rodei o Brasil por isso. Não corri atrás de ser pré-candidato”.
A fala foi interpretada como uma crítica direta às agendas nacionais que a ex-primeira-dama cumpriu à frente do PL Mulher. Do outro lado, o governador Tarcísio de Freitas também se viu no centro de polêmicas após sua esposa, Cristiane, sugerir que o país precisava “de um novo CEO, meu marido”. Tarcísio, buscando encerrar o incidente, garantiu que seu foco é a reeleição em São Paulo e que “nunca teve esse projeto” presidencial para este momento. “O Flávio é um grande nome, já falei que ele é meu candidato, que vai ter o nosso apoio”, concluiu o governador.

