A cena aconteceu em plena manhã de sol, nas areias movimentadas de Porto de Galinhas, em Pernambuco. Durante as férias com minha família, paramos diante de um vendedor ambulante que empurrava um carrinho abarrotado de bolsas, chapéus e outros produtos coloridos. O choque veio no instante seguinte: todas as etiquetas, sem exceção, estampavam a mesma frase: “Fabricado na China”.
Intrigado, perguntei ao ambulante o motivo de não haver um único item produzido no Brasil. A resposta foi direta e desconcertante: “Hoje o povo prefere receber benefícios do governo a trabalhar”. A frase, dita com a naturalidade de quem luta para sobreviver no comércio informal, expõe um retrato incômodo do país: uma economia que consome o que não produz e uma sociedade dilacerada entre a dependência e a busca por dignidade.
Dados do IBGE mostram que o Brasil chegou a um marco preocupante: 48 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família, enquanto apenas 39 milhões têm emprego formal no setor privado.
É desolador ver uma nação continental como o Brasil — rica em diversidade, talento e história — aparecer tão raramente nas páginas das grandes revistas científicas do mundo, ocupando apenas o 13º lugar global em volume de publicações, e caindo para 52ª no Índice Global de Inovação 2025 da OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). É revoltante constatar que o país, que já deveria ser referência em criatividade e inovação, mal produz algo que inspire ou revolucione o planeta, reflete cortes orçamentários e políticas miúras enquanto emergentes avançam. Mais triste ainda é assistir, em pleno Nordeste — berço de 33% do artesanato brasileiro —, ao declínio do nosso orgulho folclórico, sufocado por bugigangas importadas chinesas baratas e sem alma que inundam feiras como Caruaru e Recife, destruindo economias locais e alienando a identidade cultural.
Chegar ao poder é difícil, mas manter-se nele é o verdadeiro jogo sujo: vale tudo, de destruir uma nação a manipular gerações, fabricando legiões de parasitas eleitorais via assistencialismo que transforma cidadãos em dependentes eternos. É evidente que nem todos os beneficiários estão na situação de receber sem precisar — muitos precisam de fato —, mas, para manter o cabresto eleitoral, não pesquisam, não investigam e não sabem a hora de parar de ajudar, perpetuando o vício em massa. Por todo o Brasil, de rodovias a periferias, placas e faixas gritam “se aceita mão de obra sem qualificação” ou “precisa-se urgente de trabalhadores” — um paradoxo gritante em meio a milhões de beneficiários de programas como Bolsa Família, que não só desestimulam o emprego, mas criam uma aversão patológica ao trabalho honesto.
Para cada duas famílias atendidas, uma abandona a força de trabalho, com quedas de 11% na participação laboral e 12-13% na ocupação formal, especialmente entre jovens nordestinos que preferem o ócio subsidiado à dignidade do suor — programas sociais que prometem alívio viram correntes de parasitismo, sugando a vontade de gerar riquezas para o Brasil. Recentemente, a Polícia Federal identificou milhares de beneficiários do Bolsa Família gastando integralmente o dinheiro em apostas eletrônicas como o “Tigrinho”, prova inquestionável de que esses auxílios não salvam, mas estimulam o desemprego, o vício e a absoluta falta de vontade de trabalhar, torrando recursos públicos em cassinos digitais em vez de investir em dignidade familiar.
No Nordeste, 78,8% da renda de famílias em extrema pobreza vem de auxílios, enquanto o trabalho despenca para 18,1%, perpetuando desemprego de 8,2% — o maior do país —, pois quem arranja emprego perde o benefício, criando a equação perversa do ócio: “mente vazia, oficina do diabo”, onde a falta de vontade de produzir vira norma estatal. Esses auxílios não salvam; eles paralisam, convertendo potenciais empreendedores em mendigos crônicos que drenam os cofres públicos sem retribuir um centavo à nação que poderia prosperar com mãos ativas.
Política de estado pensa na próxima geração; política de partido pensa na próxima eleição
Não há esquerda nem direita com propósito nobre — apenas versões do mesmo vício pelo poder, usando “justiça social” como compra de votos disfarçada, com estudos apontando 0,32% mais apoio eleitoral por ponto de cobertura do Bolsa Família, fomentando uma classe de parasitas que vota no próprio algoz. Isso ilude jovens, gera violência — 55% das mortes violentas em SP ligadas a álcool e drogas, raízes no ócio e exclusão — e esconde a farsa de um sistema que premia a preguiça em detrimento da riqueza coletiva. A verdade é dura: o Brasil está na UTI, com cegueira política bipartidária perpetuando privilégios, enquanto candidatos que ousem expor isso perdem eleições.
Até quando permitiremos essa hipocrisia vestida de democracia, onde programas sociais matam a ambição nacional e transformam o Brasil em quintal de improdutivos?
Que atirem pedras: cada crítica prova a doença — incapacidade de enxergar o óbvio, com vagas implorando e nação morrendo por falta de vontade geradora de riquezas.
Mente Vazia, Nação Morta: Acorde, Brasil!

Kadmous Alassal – é Escritor e Radialista



