Cerimônia em Assunção formaliza pacto que cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo; sem Lula no Paraguai, Brasil é representado pelo chanceler Mauro Vieira
Neste sábado (17 de janeiro de 2026), a diplomacia sul-americana e europeia atingiu um marco histórico com a assinatura do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A solenidade, realizada em Assunção, no Paraguai, marca o encerramento de duas décadas e meia de impasses e abre caminho para a integração de um mercado que movimenta cerca de $22 trilhões USD em PIB combinado.
Cúpula em Assunção e a ausência de Lula
Embora a cerimônia tenha sido tecnicamente voltada para a ratificação pelos ministros das Relações Exteriores, a presença de quase todos os chefes de Estado do bloco destacou a relevância política do ato. Estiveram presentes Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguay) e Yamandú Orsi (Uruguay).
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi a ausência notória na capital paraguaia, sendo representado pelo chanceler Mauro Vieira. A estratégia de Lula, no entanto, foi consolidada antecipadamente: na sexta-feira (16), ele reuniu-se no Rio de Janeiro com a cúpula europeia para endossar o projeto.
O discurso do “fim do sofrimento” e a aliança estratégica
Em encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Lula classificou o momento como a conclusão de “25 anos de sofrimento”. O presidente brasileiro defendeu que o pacto é um pilar para a estabilidade global.
“O acordo, que será assinado em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, o Mercosul, a Europa e, sobretudo, para o mundo democrático e o multilateralismo”, declarou o mandatário. Segundo ele, o tratado beneficia uma população de 720 milhões de pessoas.
Matérias-primas e a transição energética
Um dos pontos centrais do novo acordo é a cooperação tecnológica e a exploração de minerais estratégicos, essenciais para a indústria digital e de energia limpa. Von der Leyen enfatizou que o Brasil e o Mercosul serão parceiros vitais no fornecimento de insumos para a Europa.
“Eu estou muito feliz que a Europa e o Brasil estejam prontos para um acordo político muito importante para a questão de matérias-primas. Nós iremos fazer agora esse tipo de cooperação com projetos de investimento conjunto de lítio, níquel e terras raras. Isso é chave para o mundo digital e dependência energética”, afirmou a líder europeia.
Impactos no bolso: Medicamentos e veículos mais acessíveis
Para o consumidor brasileiro, os efeitos mais tangíveis do acordo virão da redução das tarifas de importação. Projeções do Ministério do Desenvolvimento e da Indústria indicam que a queda nos impostos pode reduzir o custo final de diversos produtos, incluindo:
- Saúde: Medicamentos e insumos hospitalares;
- Indústria: Máquinas de alta precisão e equipamentos pesados;
- Mobilidade: Veículos e peças automotivas;
- Agronegócio: Fertilizantes e implementos agrícolas.
Cronograma de implementação
Apesar da assinatura política, o processo de desoneração será gradual. Especialistas e órgãos como o Ipea estimam que a retirada total das barreiras tarifárias ocorra em um intervalo de 8 a 12 anos, permitindo que a indústria local se adapte à nova realidade competitiva. A expectativa é que o fluxo comercial entre os dois blocos sofra um salto imediato a partir da ratificação parlamentar.



