Presidente dos EUA afirma ter recebido garantias de que execuções de manifestantes foram interrompidas, mas relatos sobre possível ataque militar mantêm clima de incerteza
Donald Trump indicou, nesta quarta-feira, um possível recuo em relação à ameaça de uma ofensiva militar contra o Irã, ao declarar que recebeu informações segundo as quais o governo iraniano teria interrompido a repressão letal aos protestos e descartado a execução de manifestantes detidos. Apesar disso, novos relatos sobre preparativos para uma ação militar “rápida e decisiva” mantêm a tensão entre os dois países em nível elevado.
“Fomos informados de que a matança no Irã está parando. E não há planos para execuções”, afirmou o presidente dos Estados Unidos a jornalistas na Casa Branca. Segundo Trump, a informação foi repassada por uma fonte considerada confiável, embora ele tenha reconhecido que ainda precisa ser confirmada.
Dúvidas sobre a real disposição de Teerã
O presidente americano lembrou que esta quarta-feira era apontada como o possível “dia das execuções” e disse que uma eventual confirmação dessas mortes provocaria forte reação internacional. Antes disso, Trump havia advertido que adotaria “uma ação muito contundente” caso o regime dos aiatolás optasse por executar manifestantes presos.
Apesar do tom mais cauteloso, persistem incertezas. Informações divulgadas por veículos de imprensa indicam que Trump teria autorizado preparativos para uma ofensiva limitada, enquanto o Irã anunciou o fechamento temporário de seu espaço aéreo, medida que alimentou especulações sobre um possível confronto iminente.
Irã nega execução de manifestante
O governo iraniano negou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante os protestos do último sábado, tenha sido condenado à morte. Segundo a agência Mizan, ligada ao Judiciário, “a legislação não prevê pena capital para essas acusações” e, em caso de condenação, a punição seria prisão.
Soltani está detido na penitenciária de Karaj, próximo a Teerã, acusado de agir contra a segurança nacional e de promover propaganda contra o regime. A ONG Hengaw, com sede na Noruega, afirmou que a execução foi adiada, mas alertou para “preocupações sérias e persistentes” sobre a integridade física do jovem.
A mesma organização estima que ao menos 3.428 manifestantes morreram nos 18 dias de protestos. O governo iraniano reconhece um número elevado de vítimas, mas não divulga dados oficiais.
Crise econômica e repressão digital
As manifestações tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica e à forte desvalorização do rial. Em poucos dias, os protestos assumiram caráter político, com palavras de ordem contra o regime. A resposta do governo incluiu bloqueios à internet, que reduziram a visibilidade internacional dos atos e dificultaram sua organização, contribuindo para a diminuição da mobilização nas últimas semanas.
Temor de repetição do ataque de 2025
Analistas temem que Trump repita a estratégia adotada em junho de 2025, quando ordenou ataques a instalações nucleares iranianas após afirmar que uma decisão militar seria tomada apenas semanas depois.
Nesta quarta-feira, a NBC News informou que o presidente comunicou a assessores o desejo de que qualquer ação militar cause um impacto “rápido e decisivo”, sem se arrastar por meses. O Pentágono teria elaborado cenários para esse tipo de operação, mas auxiliares alertaram para o risco de retaliações iranianas contra bases americanas no Oriente Médio.
Segundo fontes ouvidas sob anonimato, Trump teria dito que, “se algo for feito, precisa ser definitivo”, embora reconheça que não há garantias de colapso imediato do regime.
Chanceler iraniano pede via diplomática
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reagiu ao cenário e pediu que Trump “não cometa o mesmo erro” de 2025. Em entrevista à Fox News, afirmou que repetir uma estratégia fracassada levará ao mesmo resultado.
Araghchi disse que Teerã continua disposto a negociar e acusou os Estados Unidos de terem abandonado a diplomacia. Reiterou ainda que o país não pretende desenvolver armas nucleares, mas não abrirá mão do enriquecimento de urânio para fins pacíficos, classificado como um direito garantido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Fechamento do espaço aéreo aumenta tensão
Na madrugada desta quinta-feira, o Irã fechou seu espaço aéreo por pouco mais de duas horas, segundo dados do Flightradar24. O bloqueio ocorreu entre 19h45 e 21h30, no horário de Brasília, e atingiu praticamente todos os voos, com exceção de operações internacionais previamente autorizadas.
A medida reforçou a percepção de instabilidade e alimentou especulações sobre possíveis movimentações militares, mantendo o cenário entre Washington e Teerã sob forte incerteza.



