Senador afirma atuar pela união da direita, minimiza sinais de tensão com Michelle Bolsonaro e contesta números de pesquisas eleitorais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negou nesta quinta-feira (15) a existência de qualquer divisão no núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em conversa com jornalistas, o parlamentar afirmou que trabalha pela união da direita e que não pretende pressionar aliados por declarações públicas de apoio neste momento.
As declarações foram dadas em frente à Superintendência Regional da Polícia Federal, após visita ao pai.
Negativa de racha e discurso de união
“Não tem racha nenhum”, afirmou Flávio. Segundo ele, o calendário eleitoral ainda está distante e não há razão para cobranças antecipadas. “A campanha está longe. As pessoas têm o tempo delas e eu não vou ficar cobrando ninguém”, declarou.
O senador reforçou que sua atuação política busca consolidar um campo conservador coeso, sem disputas internas prematuras.
Postagem de Michelle e repercussão entre aliados
Na terça-feira (13), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e curtiu um comentário da primeira-dama paulista que afirmava: “O Brasil precisa de um novo CEO, meu marido”.
A movimentação foi interpretada por aliados como um possível recado a Flávio. Nos bastidores, Michelle teria se incomodado com a forma como o senador tornou pública sua pré-candidatura. Embora Flávio tenha ido pessoalmente a São Paulo para comunicar Tarcísio, ele não teria avisado Michelle antes do anúncio oficial.
Questionado sobre o episódio, o senador evitou alimentar especulações e voltou a negar qualquer atrito.
Pesquisas eleitorais e leitura do cenário
Flávio também comentou a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), que aponta crescimento de seu nome, embora ainda atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos cenários de primeiro e segundo turnos para 2026.
“Acho que o resultado ainda não reflete bem a realidade. Não é o que as nossas pesquisas internas estão mostrando”, disse. Segundo ele, a distância entre os dois não seria tão expressiva quanto indicam os levantamentos públicos.
O senador destacou ainda que o avanço ocorre não apenas entre eleitores identificados com o bolsonarismo, mas também entre aqueles que se declaram independentes de alinhamentos ideológicos.
Críticas às condições de detenção de Jair Bolsonaro
Durante a conversa, Flávio voltou a criticar as condições enfrentadas por Jair Bolsonaro na cela. Segundo ele, o ex-presidente pediu um abafador de ouvido devido ao barulho constante ao qual estaria submetido.
“Ele é exposto a um som enlouquecedor por quase 12 horas por dia, das 7h da manhã às 7h da noite”, afirmou. Para o senador, a situação configura uma forma de tortura. “Não tem outra palavra para definir.”



