Aliado do Kremlin defende aproximação entre Moscou e Washington para frear a expansão militar europeia no Ártico e reacende disputa estratégica pela ilha
A proposta de Moscou e a “influência alienígena”
O cenário geopolítico do Ártico ganhou contornos de incerteza após declarações de Vladimir Solovyov, um dos principais apresentadores e interlocutores das diretrizes do Kremlin. Em um movimento que sinaliza uma possível e inusitada convergência de interesses entre a Rússia e a nova administração de Donald Trump, Solovyov defendeu que as duas potências unam esforços para assumir a governança da Groenlândia. A sugestão surge como um contraponto direto às recentes discussões no Reino Unido e na Alemanha sobre o aumento da presença militar europeia no Atlântico Norte, vista por Moscou como uma ameaça ao equilíbrio de poder regional.
Alinhamento estratégico e o recado aos europeus
Durante sua intervenção, Solovyov foi enfático ao declarar a disposição russa em colaborar com os planos expansionistas da Casa Branca. “Estaremos prontos para ajudar Trump a libertar a Groenlândia dessa influência alienígena”, afirmou o porta-voz, referindo-se à movimentação das nações europeias. Em um tom de advertência às potências da Otan, o apresentador sugeriu que a resistência europeia seria inútil diante de um eventual esforço conjunto nipo-americano: “Os americanos afundarão vocês no caminho, se quiserem, e nós os ajudaremos”. Ao ser questionado sobre as motivações por trás de um apoio tão direto a um rival histórico, Solovyov respondeu de forma lacônica: “Bem, simplesmente por amor à arte”.
A ambição de Trump e a fragilidade dinamarquesa
Apesar do aceno vindo de Moscou, Donald Trump mantém uma postura de soberania sobre o tema, reafirmando que pretende consolidar o domínio norte-americano sobre a ilha antes de seus principais competidores globais, a Rússia e a China. No último domingo (11), o presidente estadunidense demonstrou confiança na concretização de um acordo iminente com a Groenlândia e aproveitou para ironizar a capacidade de defesa da Dinamarca, atual detentora da soberania do território, afirmando que o policiamento local é feito com “dois trenós puxados por cães”. A retórica de Trump reforça o interesse de Washington em tratar a ilha como um ativo de segurança nacional e um posto avançado contra o avanço oriental.
O valor geopolítico e ambiental da ilha
A Groenlândia consolidou-se como o novo epicentro da diplomacia de poder devido à sua localização geográfica privilegiada entre a Europa e a América do Norte. Além de funcionar como um radar estratégico para a defesa transatlântica, a ilha abriga vastas reservas de minerais essenciais para a indústria tecnológica global. O interesse das superpotências é exacerbado pelo derretimento acelerado das calotas polares, fenômeno que promete abrir novas e valiosas rotas comerciais navegáveis durante o ano todo, transformando o Ártico em um corredor logístico e militar disputado centímetro a centímetro.



