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Petróleo, poder e crise: como o “ouro negro” moldou a Venezuela e volta ao centro da disputa com os EUA

Jeverson by Jeverson
12 de janeiro de 2026
in Mundo
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Petróleo, poder e crise: como o “ouro negro” moldou a Venezuela e volta ao centro da disputa com os EUA

(Foto: Reprodução)

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Após a detenção de Nicolás Maduro, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela durante uma transição considerada “segura” e afirmou que pretende explorar as reservas de petróleo do país, reacendendo o debate sobre o papel histórico do recurso na trajetória venezuelana

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. Ao longo de mais de um século, essa riqueza impulsionou ciclos de prosperidade, dependência econômica, instabilidade política e colapso social. Agora, com a intervenção americana e novas promessas de exploração, o petróleo volta a ocupar o centro do destino venezuelano.

A ascensão de uma potência petrolífera

A virada começou em 1914, com a descoberta de grandes campos no lago de Maracaibo. Em 1922, um novo poço multiplicou a produção e colocou o país rapidamente entre os maiores produtores globais.

Nas décadas seguintes, a Venezuela se transformou na chamada “Arábia Saudita das Américas”. A produção saltou de cerca de 300 mil barris diários no fim dos anos 1920 para mais de 3,5 milhões em 1970. O país chegou a liderar o ranking de renda per capita da América do Sul e, nos anos 1950, superou economias europeias como França, Itália e Alemanha.

Em 1976, a nacionalização da indústria e a criação da PDVSA consolidaram o controle estatal sobre as reservas. O petróleo passou a financiar políticas sociais, infraestrutura, subsídios e uma imagem de modernidade que projetava Caracas como símbolo de luxo e consumo.

Durante décadas, a estabilidade cambial, o baixo desemprego e o crescimento sustentado alimentaram a percepção de prosperidade. O bolívar forte permitia viagens frequentes ao exterior, e o poder de compra dos venezuelanos liderava na América Latina.

Prosperidade com desigualdade

Apesar do avanço urbano e dos investimentos culturais, a riqueza não se distribuiu de forma homogênea. Regiões rurais ficaram à margem do desenvolvimento.

Segundo a professora Carolina Pedroso, da Unifesp, a sensação de progresso coexistia com um fosso social evidente entre campo e cidade. Ainda assim, parte dos petrodólares foi convertida em obras de infraestrutura, o que reforçava a ideia de avanço nacional.

A armadilha da dependência

O sucesso do petróleo também criou uma vulnerabilidade estrutural. A economia passou a depender quase exclusivamente do hidrocarboneto, enquanto agricultura, indústria e manufatura perderam competitividade — fenômeno conhecido como “doença holandesa”.

Além disso, a Venezuela não desenvolveu plenamente sua indústria petroquímica, tornando-se dependente de refinarias estrangeiras, sobretudo nos Estados Unidos. Como o petróleo venezuelano é pesado e denso, seu valor de mercado depende de processos caros de refino.

Quando os preços internacionais começaram a cair nos anos 1980, a fragilidade do modelo ficou evidente. A escassez de dólares agravou a crise fiscal, aumentou a insatisfação popular e abriu caminho para uma ruptura política.

O Caracaço e o colapso da velha ordem

Em 1989, o aumento das tarifas de transporte, após ajustes no preço da gasolina, detonou uma revolta popular em Caracas. A resposta do governo foi a imposição da lei marcial e uma repressão violenta.

O episódio, conhecido como Caracaço, deixou oficialmente mais de 300 mortos, embora organizações independentes estimem milhares de vítimas. O trauma marcou o fim da confiança na política tradicional.

Chávez, petróleo e poder

O cenário abriu espaço para Hugo Chávez, eleito em 1999 com a promessa de redistribuir a renda petrolífera e combater a pobreza. Seu governo ampliou programas sociais, reduziu a desigualdade e reforçou o controle estatal sobre o setor energético.

O país ainda foi beneficiado por um novo ciclo de alta do petróleo a partir de 2003. No entanto, a dependência permaneceu, assim como a fragilidade institucional da PDVSA.

Após a tentativa de golpe de 2002 e a greve no setor, parte da cúpula técnica da estatal foi afastada. Segundo especialistas, isso comprometeu a capacidade operacional da empresa e reduziu os investimentos em manutenção e modernização.

A herança de Maduro

Com a morte de Chávez, em 2013, Nicolás Maduro assumiu um país já marcado por corrupção, inflação e deterioração produtiva. A infraestrutura petrolífera seguiu se degradando, e a produção despencou.

Em 1999, a Venezuela produzia mais de 3 milhões de barris por dia. No fim de 2025, o volume havia caído para menos de 1 milhão, segundo a Opep.

A crise humanitária

A queda abrupta dos preços do petróleo em 2014 aprofundou o colapso econômico. Entre 2014 e 2021, o país perdeu cerca de 80% de seu PIB. A inflação ultrapassou 800% em 2017, enquanto a escassez de alimentos e medicamentos se espalhava.

As sanções internacionais, especialmente dos Estados Unidos, agravaram a dificuldade de importação e financiamento externo. Hoje, mais de 20 milhões de venezuelanos vivem em pobreza multidimensional, e cerca de 8 milhões deixaram o país desde 2014.

Os três pilares do colapso

Para o economista Diego Sánchez-Ancochea, a crise resulta da combinação de má gestão econômica, sanções internacionais e volatilidade dos preços do petróleo.

O excesso de gastos nos períodos de bonança, a restrição ao acesso a dólares e a emissão monetária para cobrir déficits públicos alimentaram um ciclo de hiperinflação e empobrecimento generalizado.

O petróleo no centro da nova intervenção

Após a detenção de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, em 3 de janeiro, Donald Trump afirmou que empresas americanas irão recuperar a infraestrutura petrolífera venezuelana e tornar o setor novamente lucrativo.

O presidente autorizou a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina e anunciou que a Venezuela deverá entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos.

Especialistas, porém, alertam que a recuperação plena da produção exigiria investimentos de dezenas de bilhões de dólares e um horizonte de pelo menos uma década.

Reconstrução lenta e incerta

Carolina Pedroso destaca que a reconstrução não envolve apenas poços e refinarias, mas também estradas, logística, energia e cadeias de suprimento. Trata-se de um processo de retorno lento, mesmo com capital privado.

Para Sánchez-Ancochea, a maior incerteza está na política externa americana. A manutenção ou flexibilização das sanções será decisiva para definir se o petróleo voltará a ser motor de recuperação ou apenas mais um instrumento de pressão.

Se as exportações forem retomadas em maior escala, a economia poderá respirar. Caso contrário, a exploração sem alívio das restrições pode aprofundar ainda mais a crise.

Um futuro ainda atrelado ao passado

Mais de um século após a descoberta em Maracaibo, a Venezuela segue prisioneira de sua maior riqueza. O petróleo que transformou o país em potência regional também ajudou a consolidar sua dependência, suas rupturas políticas e sua instabilidade crônica.

Agora, sob nova intervenção estrangeira, o “ouro negro” continua a ditar os rumos de uma nação que ainda busca romper o ciclo entre abundância natural e fragilidade institucional.

(Com BBC NEWS BRASIL)

Tags: CriseDesigualdade SocialEUAmundoPetróleoPobrezaVenezuela
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