Sob nova gestão, agência nomeia o maior contingente de especialistas em uma década e cria comitê para priorizar projetos como a vacina contra chikungunya
Sob o comando de Leandro Safatle, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) inicia um novo ciclo focado em eficiência operacional e soberania tecnológica. Em entrevista à Agência Brasil, o novo presidente detalhou um plano ambicioso para otimizar o fluxo de análises de medicamentos e dispositivos médicos, com a meta de reduzir o passivo de processos pela metade em apenas seis meses. Para sustentar a estratégia, a agência nomeará, entre janeiro e fevereiro, cerca de 100 novos especialistas — o maior reforço de pessoal em dez anos.
A estratégia de “limpa-pauta” baseia-se em uma resolução de caráter excepcional aprovada em dezembro. Entre as medidas estão o uso de reliance (confiança regulatória), que aproveita estudos clínicos já validados internacionalmente, e a criação de uma sala de situação para monitoramento diário do progresso. A expectativa de Safatle é que a situação esteja plenamente normalizada em um ano, sem que o rigor científico seja sacrificado em prol da velocidade.
Foco na ciência nacional
Um dos pilares da gestão Safatle é o recém-criado Comitê de Inovação, cujo objetivo é dar suporte técnico e visibilidade à alta gestão para projetos disruptivos gestados no país. Entre os destaques acompanhados pela agência estão a vacina contra a chikungunya, o método Wolbachia para o combate à dengue e a promissora polilaminina — tecnologia brasileira voltada ao tratamento de lesões na medula espinhal que recebeu autorização para a fase 1 de estudos clínicos este mês.
“Estamos lidando com inovação feita no país”, enfatizou o presidente, destacando a necessidade de inverter a lógica de dependência de avanços estrangeiros. Ele pontuou que a celeridade regulatória é vital para que a ciência brasileira chegue mais rápido à ponta, respeitando-se os prazos intrínsecos à segurança sanitária.
Rumo ao reconhecimento da OMS
A modernização da Anvisa mira também o cenário internacional. Para 2026, o objetivo central é obter a qualificação máxima da Organização Mundial da Saúde (OMS). A certificação deve consolidar a agência como autoridade sanitária de referência não apenas nas Américas, mas globalmente, facilitando a inserção de produtos brasileiros em mercados estrangeiros e fortalecendo o sistema de saúde nacional.



