Chanceler Wang Yi critica detenção de Nicolás Maduro e classifica operação americana como abuso de hegemonia nas relações internacionais
A diplomacia de Pequim reagiu com veemência nesta segunda-feira (5) à operação militar e jurídica dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, estabeleceu uma linha dura contra a ação de Washington, afirmando que o país “não aceitará que nenhuma nação se coloque como juíza do mundo”. A declaração ocorre em um momento de escalada nas tensões globais e reforça o posicionamento chinês contra intervenções unilaterais em Estados soberanos.
A defesa do multilateralismo e a crítica ao unilateralismo
Para o governo chinês, o atual cenário internacional apresenta-se “cada vez mais turbulento e complexo”, sendo desestabilizado por práticas que Wang Yi classifica como abuso hegemônico. Pequim reiterou sua oposição histórica ao emprego da força ou à simples ameaça de sua utilização como instrumento de política externa.
O chanceler chinês defendeu a preservação da soberania nacional e indicou que a China buscará parcerias estratégicas, “incluindo o Paquistão”, para salvaguardar os princípios da Carta das Nações Unidas. Segundo o diplomata, é necessário proteger a “linha mínima da moral internacional” e insistir na proposta de construção de uma “comunidade de destino comum da humanidade”, modelo que Pequim tenta contrapor à influência ocidental.
A divergência geopolítica: Taiwan monitora transição democrática
Enquanto a China continental condena a ação, Taiwan adotou um tom consideravelmente distinto. O governo de Taipé informou que acompanha “com muita atenção” o desenrolar da crise política e social na Venezuela. Em comunicado oficial, o Executivo liderado pelo Partido Democrático Progressista (DPP) destacou a gravidade da crise humanitária e as conexões do que denominou “regime ditatorial venezuelano” com o tráfico internacional de entorpecentes.
Diferente de Pequim, Taipé manifestou apoio a uma mudança de regime, expressando o desejo de que o país sul-americano “transite pacificamente para um sistema democrático”. A ilha também sinalizou interesse em estreitar laços bilaterais com uma futura administração venezuelana que esteja alinhada aos valores democráticos.
Maduro sob custódia: o próximo passo do judiciário americano
No epicentro da disputa diplomática, a situação jurídica de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foi confirmada pelo presidente Donald Trump. Ambos estão reclusos no Metropolitan Detention Center, localizado no Brooklyn, em Nova York. A instalação é conhecida por abrigar detentos de alta periculosidade e casos de repercussão internacional.
O ex-mandatário venezuelano aguarda o início dos procedimentos judiciais para responder por uma série de crimes graves, com destaque para a acusação de narcoterrorismo. O anúncio da detenção, feito no último domingo, consolidou o sucesso da operação americana, mas abriu uma nova frente de embate ideológico entre as potências que disputam a influência na América Latina e na ordem global.



