Embaixador reage a imagem compartilhada por esposa de assessor da Casa Branca e reforça aliança entre Copenhague e Washington em meio a escalada de tensões geopolíticas
O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, Jesper Møller Sørensen, pediu neste domingo (4) “respeito total” à integridade territorial da Groenlândia, após a divulgação de uma imagem da ilha ártica nas cores da bandeira norte-americana. A publicação foi feita por Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e ocorreu em um momento de forte tensão internacional envolvendo decisões recentes do governo dos EUA.
A postagem, feita no sábado (3) na rede social X, mostrava o território autônomo dinamarquês com as cores vermelho, branco e azul, acompanhada apenas da palavra “SOON” (“em breve”). O conteúdo circulou poucas horas depois de uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados à força para Nova York para julgamento.
Reação diplomática de Copenhague
Em resposta direta à publicação, o embaixador dinamarquês ressaltou a necessidade de preservar os princípios que regem a relação entre os dois países. “Somos aliados próximos e devemos continuar a agir como tal”, escreveu Sørensen. Em seguida, acrescentou: “Esperamos, sim, o respeito total à integridade territorial do Reino da Dinamarca”.
A manifestação diplomática ocorre em meio a reiteradas declarações do presidente Donald Trump, que desde o retorno à Casa Branca, em janeiro, afirma que os Estados Unidos “necessitam” da Groenlândia por razões estratégicas e de segurança. Em diferentes ocasiões, o presidente se recusou a descartar publicamente o uso da força para assumir o controle do território, considerado estratégico e rico em recursos naturais.
Sinalização após ação na Venezuela
Analistas internacionais avaliam que a operação militar na Venezuela, marcada por bombardeios em Caracas e em outras regiões do país, funciona como um recado não apenas a adversários, mas também a aliados preocupados com o discurso expansionista de Washington. Para esses especialistas, a ofensiva reforça as ameaças de Trump de assumir o controle de áreas e recursos considerados estratégicos, começando pela Groenlândia.
Durante entrevista coletiva concedida no sábado, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump também destacou o interesse dos Estados Unidos no petróleo venezuelano. Segundo ele, empresas americanas assumirão a produção e a exploração do recurso no país sul-americano. Nos últimos meses, o governo dos EUA já havia apreendido embarcações carregadas de petróleo que deixavam a Venezuela.
— Nossas grandes petrolíferas, as maiores do mundo, vão entrar, investir bilhões de dólares, recuperar uma infraestrutura completamente deteriorada e começar a gerar recursos para o país — afirmou o presidente, no pronunciamento inicial à imprensa.
Figura próxima ao círculo de poder
Katie Miller, autora da postagem que motivou a reação diplomática, atuou anteriormente como assessora e porta-voz da comissão de eficiência governamental conhecida como Doge, então liderada por Elon Musk. Posteriormente, deixou o cargo para trabalhar com o empresário no setor privado, mantendo proximidade com o núcleo político da Casa Branca.
O episódio amplia o desconforto entre aliados históricos dos Estados Unidos e reacende o debate sobre os limites da política externa norte-americana em um cenário internacional cada vez mais instável.



