Tragédia ocorreu durante celebração de Ano-Novo em bar de Crans-Montana; autoridades descartam atentado e investigam causas do fogo
Um incêndio de grandes proporções, seguido por uma explosão, provocou uma tragédia na estação alpina de Crans-Montana, no sul da Suíça, deixando cerca de 40 mortos e ao menos 115 feridos, segundo informações preliminares divulgadas por autoridades locais de segurança. O episódio ocorreu na madrugada do Ano-Novo, durante uma festa em um bar frequentado por turistas.
As autoridades ainda evitam confirmar oficialmente o número exato de vítimas fatais. Em coletiva realizada horas após o ocorrido, representantes do governo regional afirmaram que o balanço segue provisório, diante da complexidade do resgate e da identificação das vítimas.
Incêndio começou durante celebração de Ano-Novo
O fogo teve início por volta da 1h30 no bar Le Constellation, localizado no subsolo de um edifício e conhecido por receber grande público durante a alta temporada de inverno. No momento do incêndio, cerca de 200 pessoas estavam no local, que tem capacidade máxima para 300 frequentadores, além de um terraço externo.
Parte das vítimas é composta por estrangeiros. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre os feridos. A Itália comunicou o desaparecimento de ao menos 16 cidadãos e confirmou que cerca de dez estão hospitalizados. A França também informou que pelo menos dois franceses ficaram feridos.
Feridos foram transferidos para hospitais especializados
Mais de uma centena de pessoas sofreu ferimentos, a maioria em estado grave, o que levou à superlotação do hospital mais próximo. Pacientes com queimaduras extensas foram transferidos para centros médicos em cidades como Berna, Genebra, Rennaz, Zurique e Lausanne, que concentram unidades especializadas no tratamento de vítimas de incêndios de grande porte.
Relatos iniciais do governo italiano chegaram a mencionar 40 mortos, número que ainda não foi oficialmente confirmado pelas autoridades suíças.
Investigação descarta atentado ou ação criminosa
A polícia do cantão de Valais descartou, até o momento, a hipótese de atentado terrorista ou ação criminosa deliberada. Segundo o comandante da corporação, Frédéric Gisler, depoimentos colhidos indicam que o incêndio se espalhou rapidamente e, somente depois, ocorreu a explosão.
As causas do fogo seguem sob investigação, com equipes especializadas atuando no local para esclarecer a dinâmica do incidente.
Testemunhas relatam pânico e dificuldade de evacuação
Testemunhas ouvidas pela imprensa europeia descreveram cenas de pânico, gritos e correria após o fogo atingir o teto do estabelecimento. Duas pessoas relataram à emissora BFMTV que a escada de acesso ao bar era estreita e insuficiente para a evacuação rápida diante da lotação do espaço.
Há relatos de que velas utilizadas na comemoração, que emitem faíscas, teriam entrado em contato com o teto, acelerando a propagação das chamas. Muitos frequentadores quebraram janelas para escapar do local, enquanto outros conseguiram sair com queimaduras graves.
Frio intenso agravou situação das vítimas
Do lado de fora, equipes de resgate e voluntários enfrentaram temperaturas abaixo de zero. Segundo testemunhas, uma das prioridades foi evitar a hipotermia das pessoas que escapavam do incêndio sem roupas adequadas para o frio intenso da madrugada alpina.
Um edifício do banco UBS teve as portas abertas para acolher feridos e servir como ponto improvisado de triagem médica até a chegada das ambulâncias.
Tragédia remete a incêndios emblemáticos
O episódio gerou forte repercussão nas redes sociais, inclusive no Brasil, onde usuários compararam o ocorrido à tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, que deixou 242 mortos após um incêndio iniciado no teto do estabelecimento.
Autoridades decretam emergência e mobilizam força-tarefa
A área de Crans-Montana foi isolada e uma zona de exclusão aérea foi estabelecida durante as operações de resgate. O governo do cantão de Valais decretou estado de emergência para acelerar a mobilização de recursos.
Ao todo, dez helicópteros, cerca de 40 ambulâncias, além de equipes de bombeiros e policiais, participaram da operação. Segundo a procuradora-geral Beatrice Pilloud, esforços significativos estão sendo direcionados à identificação das vítimas. “Estamos mobilizando amplos recursos em perícia forense para permitir que os corpos sejam entregues às famílias o mais rapidamente possível”, afirmou.
Líderes europeus prestam solidariedade
Chefes de Estado e de governo da Europa manifestaram condolências e ofereceram apoio à Suíça. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, expressou solidariedade às famílias das vítimas, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou apoio “fraterno” ao povo suíço.
Crans-Montana é um dos destinos de inverno mais tradicionais da Europa, conhecido por sediar etapas da Copa do Mundo de Esqui e por atrair celebridades e atletas internacionais. O incêndio transformou o que deveria ser uma celebração de Ano-Novo em uma das maiores tragédias recentes do país.
(Com AFP e Reuters )



